arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Artes

por: Sandra Vieira Jürgens

Sandro Resende

Projecto contentores e arte pública contemporânea

Sandro Resende integra a P28, Associação de Desenvolvimento Criativo e Artístico que, entre outras acções, desenvolve um programa de mostras de arte contemporânea em pavilhões de internamento desactivados do antigo Hospital Júlio de Matos, actualmente Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa.
Nesta entrevista falou-se de arte pública, de formas de contribuir para a disseminação da arte contemporânea, de públicos e dos actuais e futuros projectos da P28, que reúnem artistas emergentes e consagrados, portugueses ou estrangeiros, como acontece com o projecto Contentores, com Luísa Cunha, Bruce Nauman e Fernando Ribeiro, e com a exposição "Os Outros" de Pedro Cabrita Reis, Artur Moreira, Francisco Gromicho, Francisco Guerra, Marta Sales, Walter Barros, patente no Pavilhão 27 do CHPL.

arqa: Antes de falarmos da vossa associação e de outros projectos que desenvolvem, gostaria que apresentasses o projecto Contentores. Nesta primeira fase, a intervenção é de Bruce Nauman, Luísa Cunha e Fernando Ribeiro. Como chegaram a estes nomes e à ideia do projecto?
Sandro Resende: Existe uma clara necessidade e uma preocupação nossa de criar um objecto que possa ser trabalhado a vários níveis, tanto como um suporte expositivo, como um objecto artístico, e foi nesta última fase que os Contentores nasceram. O contentor, enquanto objecto, é também um desafio de reabilitação, tanto do suporte artístico como de um espaço urbano (Docas de Alcântara). A solução conceptual encontrada passa precisamente pela vontade de reabilitar e reavivar estes espaços urbanos, sem perda de identidade ou transformação da sua forma mas antes como uma reorientação ou redefinição das prioridades na sua génese e propósito naquela localização específica. Com esta orientação pretendemos atingir um ideal conotado com a massificação do acesso à arte, numa manifestação do conceito de arte pública, em que esta entra em contacto com o espectador de modo espontâneo exigindo-lhe um mínimo de esforço consciente. Na fase de arranque expositivo a escolha recaiu em Luísa Cunha, a quem foi passada a missão do projecto, e posteriormente lançado um novo desafio, que permitiu alargar o espectro do projecto inicial. Este repto consistia num convite a um artista, em quem a Luísa confiasse para a intromissão na sua exposição, e a escolha recaiu sobre o Fernando Ribeiro. A Luísa Cunha é uma artista muito versátil, com um caminho muito bem definido, no entanto, e apesar desse caminho sólido, a nível conceptual é sempre difícil prever o resultado final. O resultado desta imprevisão foi um convidado inesperado, Bruce Nauman, que já desde 20 de Março de 2010, vem desenvolvendo um projecto performativo/conversa com a Luísa Cunha. O que Luísa Cunha e Bruce Nauman trouxeram ao Contentores é uma vivência interiorizante, como se de um corpo, o Contentores, se tratasse. O resultado do trabalho de ambos pode ser visto na fachada de dois contentores, em forma de texto. O trabalho do Fernando Ribeiro resulta numa relação sensorial com o espaço.

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Jul 2010

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