arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Itinerâncias

por: Vitório Vasconcelos Leite e Tiago Trigo

RePort

Sorria está na baixa

"RePort: Colóquio sobre reabilitação urbana e impacto social" é o nome de um evento promovido pelo G.R.U.A. (Grupo para a Revitalização Urbana Agora!) que, dando continuidade a preocupações já expressas pelo corpo discente e docente da FAUP em iniciativas anteriores1, procurou reunir um conjunto de intervenientes que permitisse debater a série de transformações urbanas que actualmente ocorrem na cidade do Porto e, ao mesmo tempo, proporcionar e amplificar um desejado encontro entre esta e a própria Universidade.
Partindo do centro histórico, área que mais investimentos e projectos atrai, mas não restringindo o debate a esta zona, procurou-se conhecer as novas propostas de reabilitação da cidade, que em muitos dos casos representam um campo de oportunidades díspares, com problemas sociais e demográficos evidentes.
Neste contexto, importa frisar que, como referiu Virgílio Borges Pereira, "a (e)terna anomia" do centro alcançou um ponto de abandono urbano extremo caracterizado pela divisão entre classes, com consequências para a coesão social, mas também, fruto da sua desertificação e envelhecimento, a solidão quotidiana, o confinamento doméstico e o aumento da insegurança.
É por isso, que, contrariamente a algumas das propostas apresentadas pela Porto Vivo - SRU2, encarar o mercado imobiliário como âncora poderá não ser suficiente, já que mais do que atrair novo público é premente fixar na zona os descendentes dos actuais moradores. Não o fazer será incorrer em erros do passado, como a "state police gentrification"3, referida pelo sociólogo como um erro fomentado pela pressão de investidores privados.
Em primeiro lugar, será necessário combater pré-conceitos. Se nos lembrarmos que, tal como dizia Carlos Guimarães, "a noção de Património é algo imposto", pois o conjunto urbano que o conforma não foi pensado na sua origem com tal preponderância, poderemos mais facilmente compreender que, como referia o arquitecto Souto de Moura, equiparar o património arquitectónico ao "património familiar"4 será condição necessária para aumentar a consciencialização em torno dele e assim criar uma noção de "emergência" arquitectónica.

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Mai 2010

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