arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Editorial

por: Luís Santiago Baptista

Performances Artísticas

Diller Scofidio+Renfro e Didier Fiúza Faustino/Bureau des Mesarchitectures

Existe alguma resistência na classe dos arquitectos em interiorizar a ideia de uma prática de natureza crítica. Em termos gerais, quando se fala em crítica na arquitectura remete-se para um campo de actividade considerado oposto, ou no mínimo paralelo e complementar, à prática dita arquitectónica. De facto, a habitual lógica textual da crítica contrasta com a dominante função edificadora da arquitectura. Conceito versus matéria. Teoria versus prática. Discurso versus construção. Mas é esta distinção disciplinar fundadora inquestionável? Isto é, pode a prática arquitectónica ser estruturalmente crítica?

A produção de Diller Scofidio+Renfro e Didier Fiúza Faustino/Bureau des Mesarchitectures levanta afirmativamente esta questão. Interrogando as condições ideológicas e produtivas da contemporaneidade, estas duas práticas redefinem os limites e alargam o campo da arquitectura, na esteira das radicais experimentações artísticas e arquitectónicas da segunda metade do século XX. Sintomaticamente, ambas se centram na investigação do corpo como território privilegiado para compreender criticamente e enfrentar afirmativamente a condição existencial contemporânea. Mas esse posicionamento crítico perante a realidade das sociedades tardo-capitalistas coloca à partida estes arquitectos numa situação problemática.

As suas intervenções desconstrutivas não encontram facilmente espaços de afirmação nas lógicas mercantilizadas e mediatizadas da realidade concreta que, diga-se em boa verdade, insubmissamente põem em causa. Habitando os interstícios e linhas de fuga dos modos produtivos contemporâneos, estas práticas questionantes apropriam por isso, não só os processos conceptuais, mas principalmente os espaços públicos da arte contemporânea uma importante base estratégica para encontrarem o caminho da manifestação conceptual e material dos seus projectos inquietantes e provocadores.

 (…)

Dez 2008

Outros artigos em Editorial

Imagem - Influências ficcionais

Influências ficcionais

1. Em 1985, Peter Eisenman apresentava na 3ª Biennale di Architettura di Venezia o estranho projeto Moving Arrows, Eros and Other Errors. O arquiteto americano, como arauto máximo da… 

Jan 2012

Imagem - GERAÇÃO Z #3

GERAÇÃO Z #3

O programa curatorial geração z encontra agora o seu último ciclo de exposições geração z #3.1 Depois de perto de 20 cadernos e 3 ciclos de exposições e conferências,… 

Dez 2011

Arquivo de Editorial