arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Miguel Amado

Arquitecto, Docente FCT-UNL, Director GEOTPU (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Planeamento Urbano), Autor "Planeamento Urbano Sustentável", "Operative Process to Sustainable Urban Planning"
e "Process to Green Build Design"

 

arqa: Tendo em conta a sua investigação na área das ciências do ambiente, planeamento ambiental e ordenamento do território, desenvolvimento e construção sustentável, em que sentido lhe interessa no seu trabalho a ideia de sustentabilidade? Como definiria sustentabilidade?

Miguel Amado: Sendo vital a preservação das condições de vida no planeta, impõe-se que todas as nossas acções se dirijam à eficiente gestão dos recursos naturais, em especial os não renováveis, garantindo a Sustentabilidade do processo de desenvolvimento da sociedade. A

assumpção do princípio de utilizar e garantir a disponibilidade para a fruição futura dos recursos pelas gerações vindouras é o principal valor da sustentabilidade, sendo de aplicação a toda a sociedade. Deste modo, o conceito de sustentabilidade é pois algo que tem de ser visto como transversal às diferentes áreas onde se desenvolvem as actividades humanas. Por outro lado, tenho constatado que a temática da sustentabilidade vem contribuindo para um aumento da participação da população nos diferentes processos e, em simultâneo, à compreensão da responsabilidade de cada indivíduo pelas consequências de efeitos globais resultantes da sua acção individual. A integração da sustentabilidade, no trabalho que venho realizando na UNL, apoia-se no princípio que mencionei e tem expressão na reflexão sobre as estratégias para a articulação das problemáticas do ambiente, economia e social nas intervenções no campo do planeamento urbano e da construção sustentável. Neste sentido, e com base na investigação realizada e em curso, tem sido validado o processo operativo desenvolvido para aumento do nível de eficiência das acções sobre o território e do elevado conforto ambiental no interior dos edifícios. O trabalho contribui para um melhor ambiente urbano construído, proporcionando melhor qualidade de vida à população num meio ambiente em equilíbrio. Este entendimento é resultado da aplicação dos processos operativos desenvolvidos para as acções de planeamento urbano e de construção sustentável de edifícios. Nesses dois processos operativos e para reforço dos mesmos, foi agregada a ficha de sustentabilidade do projecto, na qual se coligem ao longo de todo o tempo de execução dos projectos as estratégias, as decisões, bem como se determinam as orientações a inserir no manual de utilização e manutenção do edifício. A ficha é aplicável tanto ao projecto de planeamento urbano como ao projecto do edifício. A existência de um processo operativo integrador adaptável a diferentes escalas de intervenção, tornando o arquitecto e a população parte activa do mesmo é, só em si, um contributo para garantir que as soluções encontradas se enquadram no caminho da sustentabilidade. Outro campo de investigação recente, e inserido na mesma temática, é a pesquisa sobre qual ou quais os factores determinantes que podem induzir a que os programas base dos projectos de novos espaços urbanos resultem em acções reconhecidas como sustentáveis. Pois sendo em fase de projecto que se determinam mais de 80% do consumo de recursos é importante que o programa base possa desde logo conduzir o desenvolvimento do projecto para a sua adequação à temática da Sustentabilidade. Dos resultados entretanto já obtidos, é de realçar o maior interesse de participação da população nos processos de tomada de decisão das propostas de planeamento urbano. Nos casos dos resultados relativos à construção de edifícios concluiu-se por um maior interesse por parte dos futuros utilizadores dos edifícios, de informação sobre os produtos aplicados, os níveis de eficiência expectáveis para os edifícios e a vontade de adoptar os procedimentos de utilização e manutenção definidos pelos projectos, face aos ganhos económicos expectáveis.

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Mar 2010

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