arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Entrevista

por: Luís Santiago Baptista e Margarida Ventosa

Chris Salter

Artista, Co-fundador colectivo Sponge, Docente Concordia University, Investigador Hexagram Institute Montreal, Director "The Ephemeral City"

arqa: Tendo em conta o seu trabalho no programa The Ephemeral City 2009-2010» organizado pelo Institute de Rechérche en Histoire de l'Architecture para o CCA de Montreal, em que sentido lhe interessa no seu trabalho a ideia do efémero?
Chris Salter: A ideia do efémero está intimamente ligada ao performativo, que, para mim, é uma das chaves para o pensamento sobre aumento da complexidade o ambiente físico, construído e incorporado e a abstracção do digital/computacional. Por performance não quero apenas referir-me às artes performativas mas a qualquer prática artística em que há um foco nos processos dinâmicos e temporais ao invés de representações e objectos estáticos. A performance tem tido, sem dúvida, hoje em dia, um papel importante na relação com a arquitectura mas não há nenhum consenso sobre a definição ou contexto. Uma das coisas que tentámos fazer com o IRHA The Ephemeral City Project foi lidar com as repercurssões arquitectónicas de um ambiente que é, cada vez mais, marcado pelos fluxos. Um entendimento central do efémero e performativo é a arquitectura como um acontecimento limitado pelo tempo. Nos anos 60, arquitectos radicais individuais e colectivos como os Superstudio, Haus-Ruckert-Co, Coop Himmelb(l)au, Archigram, Archizoom, os Smithsons, Reyner Banham, Hans Hollein, os Metabolistas e Constant Nieuwenhuys, para nomear alguns, já haviam começado a empregar técnicas do efémero para alterar a concepção urbana do espaço urbano. As acções temporárias, demonstrações e intervenções foram criadas para alterar as relações politico-sociais entre o que Michel de Certeau descreveu como as estruturas "estratégicas" e burocráticas da cidade e os seus habitantes "tácticos". Enquanto que estes arquitectos e designers se focaram no efémero para desafiar a própria essência da arquitectura como uma forma de conhecimento tornada possível através de acto de construir concreto, esta adopção dos processos temporais tiveram lugar no contexto geral da convulsão social dos anos 60, particularmente na Europa e América do Norte. Penso que o que distingue o clima do efémero de hoje em dia daquele dos anos 60 são as novas formas de fenómenos interrelacionados baseados no tempo que cada vez mais destabilizam e constituem relações muito complexas entre a economia, a cultura, o social e o técnico, por exemplo, a consciência da crise ecológica e o papel dos cidadãos urbanos no seu confinamento, a transformação dos espaços urbanos pelo marketing e design, as redes sociais e as formas como os sistemas de comunicação online, como o Twitter e o Facebook, estão a transformar os habitantes da cidade em sistemas de auto monitorização ou a mudança em direcção ao que Mirko Zardini descreveu como "a redescoberta da fenomenologia, experiência, o corpo, a percepção e os sentidos que "vão além do domínio do visual" (Zardini 2006). Todos estes fenómenos exigem novos conceitos e enquadramentos de análise da teoria, história e prática arquitectónica. Agora, as acções, interacções, participações e processos adaptativos caracterizam as condições do espaço urbano. O arquitecto Branko Kolarevic descreve a arquitectura performativa como aquela que "dá resposta às mudanças nas condições sociais, culturais e tecnológicas" e na qual "o espaço, a cultura e tecnologia formam uma rede complexa activa de conexões, uma rede de construções inter-relacionadas que se influenciam mutuamente de modo contínuo e em simultâneo." (Koralevic 2007). Então, o que pode constituir o efémero é não só o evento ou a estrutura em si mas o ambiente cambiante e em turbilhão em que a arquitectura é colocada - o local ou meio dramaticamente em mudança - e o modo como o lugar realiza essa arquitectura. Estas dinâmicas entre o construído, habitado e fugaz também é o que tenho explorado, já há algum tempo, com o designer Erik Adigard, em instalações quasi-arquitectónicas, especialmente no nosso projecto Air XY de 2008 no Arsenal na Bienal de Arquitectura de Veneza.

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Jan 2010

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