
Arquitecto raumlaborberlin
arqa: Tendo em conta a sua investigação teórica e projectual, em que sentido lhe interessa no seu trabalho a ideia do efémero?
Markus Bader: Criamos situações interactivas enquanto testamos campos de mudança. A este nível, o efémero é inerente. Cremos que os projectos de transformação têm de ser encarados como processos. Deve-se evitar chegar a resultados finais em fases muito iniciais do trabalho. As situações experimentais permitem que se aprenda enquanto se faz, experimentar o conjunto de ideias em funcionamento e ver como se desenvolvem ao longo do tempo. É assim que nos apresentamos: raumlabor é um colectivo, um agregado de conhecimentos e recursos. Sendo arquitectos e urbanistas, organizamos o espaço. Experimentamos com técnicas de trabalho artísticas e trabalhamos orientados ao processo. Trabalhamos em equipas interdisciplinares em permanente mudança. Em cooperação com especialistas de outras profissões, exploramos e questionamos fenómenos urbanos e desenvolvemos protótipos para a reabilitação urbana. Somos nove arquitectos entre os 35 e os 43 anos de idade: Francesco Appuzzo, Markus Bader, Benjamin Foerster- Baldenius, Martin Heberle, Andrea Hofmann, Jan Liesegang, Christof Mayer, Matthias Rick, Axel Timm. Concentramos a nossa perspectiva em certas situações da cidade. Uma prioridade no nosso trabalho é a investigação sobre o domínio público. espaços que são usados socialmente, aonde a comunidade se desenvolve ou que foram concebidos para a sociedade. O que acontece verdadeiramente hoje no espaço público? Que tipos de trocas sociais acontecem aí? Que qualidades devem ter os espaços públicos vitais? Que papel têm aqui a arquitectura e o planeamento? Como é que as pessoas activam a sua cidade, as suas ruas e as suas praças? Que tipo de imagens compoem para si e para o seu mundo? E quem toma parte nisso? Para perceber e lidar com estas estruturas complexas, mergulhamos nelas, fazemos parte. Estamos interessados no espaço como produto de interacção pública e não primordialmente como meio construído. Entendemos o espaço como "handlungsraum" (espaço de diálogo e actividade física), que é dedicado a e determinado pelo seu uso. O nosso destino é desenvolver estratégias espaciais, que geram competencia e convidam a actuar. O espaço já não é entendido sob determinação das suas fronteiras, mas antes como ligação. Esta é a chave para a estrutura urbana que potencia a liberdade do espaço, que é flexivel e fortalece a competencia individual. Entendemos o projecto como uma prática de investigação, que é preferencialmente atingida através de trabalho colectivo interdisciplinar. Nos nossos projectos testamos com sucesso estruturas de trabalho e formatos organizacionais com cientistas culturais, etnógrafos, artistas, dramaturgos, sociólogos, paisagistas, psicólogos, filósofos, engenheiros civis e técnicos de várias áreas. Realizá-mos projectos debaixo de difíceis circunstâncias espaciais, sociais e financeiras para uma série de museus, festivais, teatros, instituições de planeamento. Somos muitas vezes requeridos em questões estratégicas em relações públicas, interacção no espaço público, produção de conteúdos e sua apresentação tridimensional. raumlabor defende um discurso orientado, experimental, lúdico, métodos de trabalho participativos com alto grau de publicidade e forte expressão projectual. Pelo nosso trabalho recebemos diversos prémios e distinções.
Jan 2010

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Jul 2010

Arquitecto, Docente UAL e Universidade Évora arqa: Tendo em conta a sua investigação teórica e projectual, em que sentido lhe interessa a ideia de património? Como definiria património? João…
Jul 2010