

Decorreu entre 31 de Outubro e 6 de Dezembro a 8ª Bienal Internacional de Arquitectura de São Paulo BIA'09, sob o tema «Ecos Urbanos: Espacialidade; Conectividade; Originalidade; Sustentabilidade».
No momento em que emergem no panorama internacional outros eventos disciplinares periódicos realizados na América do Sul, a Bienal de São Paulo parece estar a perder fôlego, o que nos dias de hoje pode ser fatal.
De facto, já nem o contexto magnífico do Parque Ibirapuera de Oscar Niemeyer consegue fazer esquecer uma ausência de um programa consistente, uma organização em grande medida descuidada e inoperante, uma deficiente apropriação do espaço expositivo disponível e uma divulgação dos eventos que roça a incompetência. Num âmbito de uma certa mediania apresentada pelas exposições organizadas pela bienal, salvam-se as "encomendas" exteriores a participações internacionais. Perante esse contexto geral relativamente indiferenciado, tem que se realçar o grande interesse e qualidade das propostas programáticas das representações nacionais de Portugal, Holanda, França e Alemanha. Poder-se-ia mesmo dizer que, por um feliz acaso, o conjunto destas exposições internacionais consegue fazer um apanhado bastante completo pelo que de mais relevante acontece no actual panorama disciplinar. Se as representações portuguesa e francesa revelaram, é certo que em pólos opostos, as possibilidades de uma efectiva conexão da arquitectura com a realidade produtiva, as representações holandesa e alemã expuseram, acima de tudo, a pluralidade das novas abordagens à intervenção arquitectónica e urbana. Desde logo, a representação portuguesa Cinco Áfricas / Cinco Escolas, comissariada por Manuel Graça Dias, orientou-se para a necessidade de actuação concreta em contextos de crise e necessidade, propondo projectos reais que respondam com eficácia aos problemas mais básicos e essenciais. Em segundo lugar, a representação francesa GeneroCité, um conceito de hibridização entre generosidade e cidade proposta por Francis Rambert e já apresentada anteriormente na Bienal de Arquitectura de Veneza, desvendou um conjunto vasto de projectos afirmativos em fase de construção, revelando as crescentes pontes entre a experimentação arquitectónica
e a realidade produtiva em França. Em terceiro lugar, a representação holandesa Architecture of Consequence: Dutch Designs on the Future, comissariada por Ole Bouman, demonstrou o espectro surpreendentemente alargado de abordagens projectuais diferenciadas nos países baixos, das mais especulativas às mais pragmáticas, das mais conceptuais às mais realistas, das mais ecológicas às mais sociais, revelando uma abertura rara para repensar em acto as potencialidades e limites da disciplina.
Jan 2010

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Jul 2010

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Jul 2010