

Ensaio - arquitectura
Falar de efémero leva-nos automaticamente a pensar sobre "uma acção ou acontecimento cuja duração é, numa primeira instância, de um só dia. Por extensão, fenómeno, presença ou fabricação breve, fugaz ou instável: de curta duração"1 e a considerar que se trata de algo sem consequências e de pouca repercussão.
Mas, se recordarmos, por um lado, Jorge Luis Borges quando diz que "apesar da vida de um homem ser composta por mil e mil momentos e dias, esses muitos instantes e esses muitos dias podem ser reduzidos a um: o momento em que um homem averigua quem é, quando se vê cara a cara consigo mesmo" 2 e, por outro, Fernando Pessoa quando considera que o valor das coisas não está no tempo que elas duram mas na intensidade com que acontecem, podemos dizer que o efémero não se reduz a algo sem repercussão, a algo que passa e que não deixa nem rasto, nem vestígio, nem memória.
Falar sobre o efémero significa falar de tempo. E falar de tempo pode estar associado a falar do tempo de vida de um objecto ou de um espaço.
É verdade que o tempo é sentido, por cada pessoa, de uma forma muito particular e muito própria. Por um lado, existem os que entendem o tempo como linear, ou seja, como uma sequência com princípio, meio e fim, por outro lado, existem outros para quem o tempo é cíclico, ou seja, um eterno retorno.
Segundo Jorge Luis Borges, Nietzche defendia a teoria do eterno retorno, partindo do princípio: se existe um número finito de objectos, existe também um número finito de formas para se combinar. Assim podemos dizer que se o tempo for infinito é natural que todas as possibilidades se voltem a repetir. Há também quem defenda que existe una repetição dos acontecimentos no tempo, ou seja, que existe uma repetição não coincidente mas idêntica.
Se olharmos para trás e paralelamente para a nossa actualidade encontramos, tanto na arte como na arquitectura, experiências que se repetem, embora tanto a memória como o conhecimento as torne aparentemente diferentes. Deste modo podemos pensar que o que fazemos hoje não é mais do que uma repetição do que se fez ou se tentou fazer em outras épocas, embora sobre outros contextos e modos: "as coisas no tempo não têm realidade física pois existem como modalidades do pensamento e da linguagem que ocorre, no presente, da atenção e localiza-se na narração e na predição.
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