

1. No início do seu ensaio sobre a "estética do efémero", Christine Buci-Glucksmann interroga-se: "Verdadeiro signo da sociedade, o efémero não se terá tornado uma nova modalidade do tempo na época da mundialização?"1 De facto, em praticamente todas as esferas da nossa existência parecemos cada vez mais dominados por uma ideia irredutível de efemeridade. E essa percepção mais aguda do temporário e do transitório não deixa de chocar com as nossas concepções culturais adquiridas, pouco habituadas a lidarem não só com a mutabilidade da realidade mas também com a mobilidade do próprio pensamento. Se esta efemeridade se vai manifestando nas sociedades contemporâneas, o que dizer dos seus reflexos no campo da arquitectura, por natureza, o bastião do perene? Desde o início, a arquitectura foi pensada como a disciplina da permanência. Não por acaso, de Vitrúvio a Le Corbusier, a arquitectura terá procurado interiorizar tanto as geometrias do sagrado como as leis do universo. Neste sentido, a história da arquitectura dedica pouco espaço às suas manifestações efémeras, reduzidas a referências ao mito originário da cabana primitiva ou às grandiosas encenações barrocas. No entanto, percebemos que com a modernidade algo se altera estruturalmente. A abertura projectiva ao futuro, inerente à concepção progressista da história, torna o tempo presente o lugar privilegiado da transformação e da mudança. No âmbito da arquitectura, nada o demonstra tão claramente como as exposições universais da segunda metade do século XIX, verdadeiras manifestações técnicas e sociais de fascínio com o novo mundo industrial. Nos dias de hoje, quando se fala em efémero em arquitectura continuamos remetidos para o campo das artes ditas performativas ou para os grandes eventos culturais, revelando a manutenção dessa associação umbilical ao espectáculo. A verdade é que a arquitectura continua a ser entendida essencialmente como fenómeno material e objectual pensado para a permanência. Mas mesmo que seja concebida e construída para a eternidade, a arquitectura não deixa de ser, por natureza, efémera. A sua ideia conceptual esmorece e dissemina-se. A sua materialidade física decai e transforma-se. A sua apropriação humana muda e adapta-se. É por isso deveras estranho que a arquitectura continue a revelar tanta dificuldade em interiorizar produtivamente essa lógica da efemeridade. Apesar desta evidência, alguns arquitectos contemporâneos têm explorado de forma criativa a ideia de efémero através da própria materialidade da arquitectura. Se alguns, como Frank Gehry, Coop Himmelblau, Lacaton & Vassal ou mesmo Lebbeus Woods, o afirmam através da acentuação da instabilidade das formas, da informalidade das tecnologias e da precariedade dos materiais, outros, como Herzog & de Meuron, SANAA ou Jean Nouvel, realizam-no através da procura de uma desmaterialização do objecto, num caleidoscópio espacial etéreo de transparências, reflexos e opacidades.
(…)Jan 2010

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Jul 2010

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Mai 2010