

"People think our work is monumental because it's art, but human beings do much bigger things: they build giant airports, highways for thousands of miles, much, much bigger than what we create.
It appears to be monumental only because it's art."
Christo
"Christo and I believe that labels are very important, but for bottles of wine, not for artists, and we usually don't like to put a label on our art. If one is absolutely necessary, then it would be environmental artists because we work in both the rural and the urban environment."
Jeanne-Claude
A 4 de Outubro de 1991, mil oitocentos e oitenta trabalhadores contratados por Christo e Jeanne-Claude abriram em simultâneo, em Ibaraki (Japão) e na Califórnia (EUA), três mil e cem chapéus-de-sol monocromáticos, azuis no Japão e amarelos na América.
O efeito paisagístico podia ser apreendido de automóvel ou a pé.
Das auto-estradas aos caminhos campestres, o horizonte afirmava-se em panorâmicas transfiguradas, percebia-se como a cor e o design desses grandes chapéus favoreciam uma nova imagem e significado dos espaços efemeramente intervencionados. "The Umbrellas" (1984-1991) permaneceu na geografia desses lugares durante exactamente noventa dias, o tempo da sua efectiva apresentação, que levou sete anos a projectar e concretizar.
Na verdade, os trabalhos desta dupla de artistas apresentam quase sempre números impressionantes, desde a sua fase embrionária, ou de sonho, ao seu longo desenvolvimento temporal, congregando uma extraordinária capacidade de intervenção humana, técnica ou financeira, resultado ainda de complexas e prolongadas negociações com as autoridades públicas ou privadas. Transformar temporariamente os lugares foi sempre o grande objectivo de Christo e Jeanne-Claude, evolvendo o maior número de pessoas num processo de sensibilização estética e política acerca de espaços fortemente identificados. A história da arte pública efémera muito deve a esta persistente dupla de artistas. A controvérsia e o impacte social das suas obras ficaram registados não apenas entre o meio artístico, como ainda, ou sobretudo, junto do grande público, pois a divulgação dos seus intentos e resultados atingiu quase sempre, pelo menos nas últimas duas décadas, uma dimensão popular, diríamos mesmo, planetária. Quem não se lembra do gigantesco empacotamento da "Pont Neuf", em Paris (1985), ou do "Reichstag", em Berlim, no verão quente de 2005? Foram centenas de milhares de pessoas que puderam apreciar in loco esse inusitado encerramento simbólico do parlamento alemão. Mas foram muitos os milhões que o viram pela televisão ou pela internet. Christo e Jeanne-Claude atingiram aí a plenitude da sua ambição artística, ao confirmarem que tudo pode ser, na verdade, empacotado1.
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