

Com um percurso artístico individual, Nuno Ramalho e Renato Ferrão partilham por vezes a concepção de projectos e exposições. Em "Estúdio", título que dá nome à sua apresentação conjunta na Fundação Carmona
e Costa (até 22 de Janeiro 09), reúnem um conjunto de propostas realizadas a partir da apropriação de uma imagem/acontecimento encenado em torno da ideia de estúdio/atelier. Os trabalhos que constituem registos, exercícios que se desdobram sobre a abrangência do desenho, da representação, da ocultação, observam-se como apontamentos fragmentados que interceptam diferentes temporalidades e realidades espaciais.
arq|a: Paralelamente ao vosso percurso individual desenvolvem projectos em colaboração. Podem explicar-me quando e como é que se desenvolveu esta colaboração e quais foram as motivações iniciais?
Nuno Ramalho & Renato Ferrão: Fomos colegas na Faculdade de Belas Artes do Porto, no curso de Escultura, mas o nosso contacto nessa altura não era muito estreito. A nossa primeira colaboração aconteceu em 2004, a propósito de uma exposição no Salão Olímpico, no Porto. Não temos muito claro como é que essa colaboração se iniciou. Sabemos que tínhamos um respeito e curiosidades mútuos em relação ao trabalho que desenvolvíamos individualmente, bem como interesse em experimentar formas de abordagem diferentes daquelas que se inscreviam num percurso individual. Não foi tanto a necessidade de simplesmente desafiar a noção de autoria, seguramente não fomos atraídos pelos critérios programáticos muito definidos que víamos ou vemos a acontecer à nossa volta, quando se fala em duplas ou mesmo em colectivos; tratou-se mais de uma vontade de encontro, de experimentação. Alguma coisa capaz de despoletar resultados afastados daquilo que seria um temperamento particular, conhecido, e que o Salão Olímpico punha a possibilidade de pôr em prática. Os resultados dessa necessidade de colaboração artística inicial pareceram-nos suficientemente interessantes e estimularam o prolongar dessa primeira experiência noutras que se lhe seguiram.
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