
"Now you young twerps want a new name for your generation? Probably not, you just want jobs, right? Well, the media do us all such tremendous favors when they call you Generation X, right? Two clicks away from the end of the alphabet. I hereby declare you Generation A, as much at the beginning of a series of astonishing triumphs and failures as Adam and Eve were so long ago."
Kurt Vonnegut, 1994
Esta é a citação de abertura do recém-publicado Generation A, o romance com o qual Douglas Coupland procurou, literalmente, dar a volta ao texto na febre recente das classificações geracionais.
Douglas Coupland, de resto, foi o culpado da pandemia.
Foi o célebre autor canadiano quem arremessou estas designações para a cultura popular mais alargada, quando, em 1991, foi buscar a Generation X para título do seu primeiro romance a uma expressão que ele próprio atribuía "erroneamente" a Billy Idol.
O pobre Billy Idol, rapazola esgrouviado que nesta história apenas fez de correia transmissora, limitara-se no entanto a buscar inspiração na lombada de um livro que figurava na biblioteca da sua querida mãe para baptizar a sua banda punk, no fim dos anos 70.
E, assim, o dito livro, um obscuro estudo sociológico de 1965 sobre a juventude inglesa dos anos 60, é que foi o inoculador da gripe original. (Bendita wikipédia!)
Desde então, as gerações X, Y e Z sucederam-se a uma velocidade viral nos mais recônditos charcos da nossa sociedade mediática.
Como consequência mais catastrófica do vírus, desfez-se de uma vez por todas a visão romântica de que as identidades geracionais se sucedem umas às outras ao ritmo do par de décadas. As gerações agora são como os cogumelos. Aparecem em todo o lado e em todas as estirpes ao mesmo tempo.
Mas o hipertexto da cultura popular dos nossos dias funciona assim mesmo.
Os termos que utilizamos quotidianamente surgem de forma errática, ao sabor do acaso e da catchiness das mais variadas buzzwords (please excuse my french!).
Como na fabulosa realidade política que hoje vivemos, as tendências afirmam-se de modo absolutamente indiferente ao suposto conteúdo das designações. É o que se chama fuzzy logic. Se assim o quisermos, claro. Também lhe podemos chamar gripe A.
Foi pela mesma razão (ou ausência dela), que tais designações vieram adicionar sal à cena arquitectónica de um determinado país à beira-mar plantado a partir do ano da desgraça de 2004. Foi nesse malfadado ano que, para curiosidade de alguns e indignação de muitos, tais classificações vieram dar argumento a uma exposição que para sempre inquinaria a lógica geracional bem aparada da chamada "arquitectura portoguesa."
A culpa, aí, foi mesmo de uns curadores jovens e incautos que acharam por bem recorrer a tais classificações para justificar que a única metamorfose que então se podia descortinar na arquitectura portuguesa - porque era de metamorfose que se tratava na Bienal à qual se destinava a dita exposição - era mesmo uma metamorfose de atitudes. Isto é, uma alteração infecciosa do modo de ser de gerações muito próximas.
Dez 2009

1. Interessa-nos, no âmbito do tema "ficção", delinear uma possibilidade de entender o nosso transitório presente. Como será o moderno tardio, pós-modernismo, e suas múltiplas derivações, historiado de acordo…
Jan 2012

1.1. Este texto debruça-se sobre a experimentação e reprodução de conhecimento na Arquitectura contemporânea, tendo em conta o contexto universitário em que actualmente se processa a sua formação e…
Dez 2011