

E se a maior árvore de Natal da Europa voltasse a aparecer em Lisboa na próxima quadra natalícia?
O texto aqui apresentado baseia-se neste acontecimento anual para evidenciar a questão da ocupação privada do espaço público e as estratégias implementadas para conciliar estes dois conceitos considerados antinómicos. Foi escrito no final de 2006 e editado uma primeira vez no livro-catálogo da bienal da luz de Lisboa, Luzboa 20061.
Proponho aqui a sua reedição, numa versão resumida, em reacção oportuna à opção da Câmara Municipal de Lisboa para as iluminações do Natal 2008, proporcionando, infelizmente, a este ensaio uma nova actualidade. De facto, concessionando a patrocinadores privados 24 ruas e 15 praças da cidade de Lisboa, a Câmara deu uma outra escala a um processo iniciado no 2004 com a colocação da árvore de Natal do Millennium BCP em Belém...
É difícil ficar insensível à espécie rara que cresce e desaparece ao ritmo das festas natalícias há já vários anos em Lisboa. Considerando que cada árvore nasce num contexto ambiental que lhe é propício, qual será o biótopo favorável à nascença deste fenómeno discutivelmente ecológico?
Pelo facto de este "biótopo" ser em si mesmo espaço público, num ponto-chave da cidade de Lisboa, a árvore de Natal na Praça do Comércio levanta um conjunto de questões que poderíamos resumir na seguinte: será a maior árvore de Natal da Europa um luminoso íman convivial ou, pelo contrário, uma espoliação do espaço público?
À referida visão da árvore como íman de encontro, apresentada como uma evidência pela potência de marketing dos promotores da operação, pretende-se aqui contrapor uma leitura mais aprofundada e crítica.
Qual espaço público ?
Para melhor avaliar e questionar a relação da árvore de Natal com o seu contexto urbano, é preciso entender a noção de espaço público acrescentando à sua acepção estritamente arquitectónica as questões dos usos, apropriações e representações simbólicas que lhe são indissociáveis.
Efectivamente, antes de se definir como conjunto de espaços abertos, não edificados, afectados a usos públicos, tais como praças, ruas ou parques, o espaço público tem por fundamento o ser um lugar de encontro aberto, sem quaisquer restrições de acesso nem de usos (desde que dentro dos limites estabelecidos pela autoridade pública). Assim, deve possibilitar a confrontação/aproximação das diferenças que constituem as nossas sociedades, tornando-se inclusive metáfora das cidades enquanto centro do debate democrático2. Uma abordagem sociológica da noção considera que é neste espaço que cada um de nós expõe uma representação de sim próprio, ao mesmo tempo que nele ganha forma a representação implícita da estrutura social de uma sociedade.
Out 2009

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Jan 2012

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Jan 2012