

No contexto da cidade e da cultura contemporânea, torna-se relevante observar as interferências que um contexto de "fluxos e interacções expandidas" traz às cidades, assim como o papel que esses assumirão. Parece que, progressivamente, a cidade física avança no estabelecimento de relacionamentos íntimos com as suas redes físicas e digitais, conformando um METATERRITÓRIO DE INTERACÇÃO e actividade humana que se pode constituir enquanto objecto de interesse arquitectónico e urbanístico.
A cidade na sua situação contemporânea, pressupõe a existência de novas formas urbano-territoriais e a consolidação de uma cultura movida pelo imperativo da mobilidade dos fluxos e redes.
Comecemos recordando, que às alternativas utopistas e reformistas ao desequilíbrio espaço-funcional e social da cidade provocado pela industrialização, foi sucedendo a proposta modernista de hiper-organização e segmentação a qual não é desresponsabilizável pelo problema centro-vs-periferia. Na actual cidade expandida, baseada no sector terciário e já não no industrial, os fluxos, a acessibilidade, a interacção, e as redes de comunicação adquirirem uma importância estratégica. E é neste sentido que Fernando Lisboa lança com clareza a hipótese: "se se admitir que as relações entre espaços de habitação, de trabalho e de consumo determinam, também, as formas da cidade então é possível estabelecer a seguinte hipótese de trabalho: que tecnologias mais eficazes para a transferência de dados, multimédia, e a melhoria da integração entre computadores e telecomunicações poderão contrariar a tendência para a especialização e para o zonamento e, consequentemente, reorganizar as casas e as cidades. Esta reorganização parece apresentar-se, sobretudo, como a oportunidade de reconciliar a polis com a civis, resgatando o problema da cidade da esfera do tecnicismo para o recolocar na esfera da política". (Lisboa, 1999)
Hoje, depois dos males da industrialização e das consequências do modelo moderno, continua a mutar a forma e limite da cidade, multi-centralizada e multi-periférica conduzida pelas forças do capitalismo global. A diluição em curso das distâncias físicas e um novo conceito espaço-temporal, propícia mesmo conceber um modelo de cidade como sistema planetário de conexões físicas e digitais. Em grande medida, a meu ver, as infraestruturas de mobilidade e comunicação (cabo, satélite etc) vêm apoiar a expansão da cidade iniciada pelas físicas (de electricidade, telefone etc) e a urbanidade vertical (do elevador etc). E, conjuntamente com as infra-estruturas rodoviárias e a figura do automóvel, são as tecnologias e produtos digitais (como o ATM, o GPS, os Palm tops, etc) que asseguram o FUNCIONAMENTO e proporcionam a vida urbana das mega-aglomerações.
Out 2009

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