arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Editorial

por: Luís Santiago Baptista

Espaços Públicos

Possibilidades entre o pragmatismo crítico e o activismo subversivo

1. O espaço público tem sido a temática mais abrangente no campo da arquitectura neste início de milénio. Perante a privatização generalizada do espaço territorial nas sociedades contemporâneas e a emergência de novos espaços de comunicação virtuais potenciados pelas novas tecnologias, os principais debates da disciplina atravessam e encontram-se nessa ideia agora estruturalmente indefinida de espaço público. Se, a nível físico, o espaço público se vai contraindo e rarefazendo nas nossas cidades cada vez mais tomado pela nova realidade corporativa, a nível comunicativo, o espaço público vai-se fragmentando e desmaterializando em lugares indeterminados de um novo mundo virtual. O que fica do que entendemos por espaço público perante os processos concomitantes de privatização e virtualização? Anuncia isto o fim inevitável do espaço público ou apenas a sua irreversível mutação? Que possibilidades emergem dessa nova condição paradoxal do espaço público contemporâneo? As interpretações recentes sobre o espaço público têm-se desenvolvido num espectro que vai da aceitação acrítica à negação corrosiva das actuais condições produtivas e comunicativas. Na verdade, este encontra as suas manifestações determinantes em idealizações tão diversificadas como as composições urbanas petrificadas, os universos comerciais paradisíacos, os cenários ficcionais apocalípticos, as práticas subversivas corrosivas, ou mesmo os horizontes virtuais libertadores. No entanto, convém distinguir as duas acepções fundamentais da dualidade público-privado, de modo a clarificar esta situação complexa. Efectivamente, esta dicotomia é estruturante tanto da perspectiva vivencial, onde se separa a dimensão pública e privada da vida humana, como do ponto de vista produtivo, distinguindo diferentes modos de intervenção urbana, de promoção pública ou de iniciativa privada. Se esta última compreende as questões do fenómeno de globalização económica com a afirmação corporativa no território, a primeira, está envolvida pelas questões de globalização comunicacional com a expansão do universo virtual. Só tendo em conta esta equação é que possível compreender as diferentes estratégias de resposta ao espaço público contemporâneo que hoje emergem no campo da arquitectura.

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Set 2009

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