

Da reflexão sobre o espaço público ressalta, a meu ver, a consolidação actual de 3 fenómenos intimamente ligados á experiência urbana da Metrópole: o espectáculo, o controle e o consumo. Tais fenómenos, cuja génese remete para a formação da cultura burguesa do século XIX, foram desenvolvidos durante as últimas décadas associados a um desejo de ócio e entretenimento, à espectacularização da sociedade e à cultura visual, à moda e à publicidade, à cultura de massas e à globalização, à mobilidade e à tecnificação informacional.
A metrópole contemporânea surge-nos aqui vista como estrutura espacial e de sociabilização onde esses usos e fenómenos tomam lugar, situação que comporta uma incidência profunda ao nível da espacialidade e vivência urbana. Na metropóle os "não-espaços (usando a categoria de Marc Auge) uniformizados e sem referência histórica; são consumidos" espectacularmente pelo indivíduo a-étnico sob condutas precisas e controladas dentro da noção de "capitalismo tardio".
A condição metropolitana converte-se em matriz do espectáculo, do consumo e do controle. O espaço público, como o entendemos, tornou-se frequentemente, e enquanto derradeiro "Outro", no verdadeiro excluído.
Set 2009

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