1. A dicotomia centro/periferia já não permite captar satisfatoriamente a condição urbana contemporânea. Por um lado, conceptualmente, centro e periferia são cada vez mais realidades relativas no contexto generalizado de um mundo globalizado, subentendendo a simultaneidade de múltiplas escalas - mundial, continental, nacional, regional e local. Por outro lado, materialmente, torna-se cada vez mais difícil perceber centros e periferias como situações específicas de natureza diferenciada, perante o contexto de dispersão e fragmentação territorial do que ainda entendemos por cidade. No entanto, no âmbito da produção arquitectónica e urbana actual, não podemos simplesmente descartar essa distinção, votando-a à irrelevância. Isto porque, mesmo perante as dificuldades para compreender a condição urbana contemporânea a partir dessa dualidade disciplinar, ela não deixa de estar naturalmente presente nas cidades que habitamos. Inexoravelmente, as realidades do centro e da periferia foram-se materializando no território. Contrastando com a ordem material regradora e o controle legislativo defensivo dos centros históricos e administrativos, as expansões periféricas apresentam tanto uma informalidade material como uma hibridez social. E esta condição periférica mais do que uma inevitabilidade pode ser um desafio determinante. Essas áreas desinvestidas, apesar dos conflitos e tensões existentes, mantêm uma abertura à mutação e um potencial de transformação, que podem fazer delas um campo de investigação e experimentação mais livre de modos vivenciais metropolitanos. A produção arquitectónica dos ateliers OFIS e equipo4d revela essa intenção de actuação construtiva sobre os territórios periféricos. Assumindo as condições periféricas respectivamente da Eslovénia e da Península Ibérica, estas duas práticas enfrentam propositivamente os desafios da realidade concreta. Se o OFIS encontra espaços de liberdade nas duras lógicas do mercado, manifestando o potencial lúdico da intervenção arquitectónica, a equipo4d explora novos programas de natureza colectiva, investindo na ampliação criativa do espaço público. E estas duas duplas acreditam que as possibilidades da intervenção arquitectónica contemporânea passam pela implantação de novas centralidades qualificadas no vasto espaço periférico da "grande cidade".
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