1. A periferia tem sido um dos temas mais prementes na arquitectura e urbanismo contemporâneos. Etimologicamente, a ideia de periferia subentende a presença contraposta de um centro agregador. Estando em volta de um pólo aglutinador e sendo de natureza diferenciada deste, a periferia foi-se assumindo como uma condição específica, normalmente associada às características negativas, físicas, ambientais, sociais e culturais que a diferenciam do centro. Se o centro é entendido como o lugar privilegiado da ordem, unidade e memória, a periferia está conotada com o conflito e tensão de tempos, escalas e materialidades. Descontínua e informal, a periferia é entendida como o resto da cidade, aquilo que não encontrou lugar distinto e lógico na sua ordem centralizadora. Neste sentido, a periferia agrega indeterminadamente o que foi expelido pelo centro. Por outro lado, a ideia de periferia determina a existência de uma fronteira entre um interior e um exterior da cidade, de um limite que distingue o urbano do suburbano. Mas pode ainda ser traçado este limite claro e distinto nos nossos territórios metropolitanos? Ou mais incisivamente, é esta lógica urbana dualista, entre uma natureza pura e verdadeira da cidade e outra indefinida e degenerada da periferia, ainda útil para compreender a cidade contemporânea?
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