arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Editorial

por: Luís Manuel Pereira | luismanuelpereirarevarqa@gmail.com

CONFIGURAÇÃO COMO LÓGICA DA RESPOSTA AO IMAGINÁRIO | CONFIGURATION AS LOGIC OF AN IMAGINARY RESPONSE

Uma evidência: a capacidade da arquitetura, como elemento de configuração, parte da intenção
em utilizar o desenho como processo de metamorfose dos lugares. Esta afirmação é uma
verdade absoluta. Sendo o lugar uma entidade com características especificas - sobretudo a sua
morfologia, origina códigos de interpretação que, ao longo da história da arquitetura, apresentam
resoluções diferenciadas, apoiadas em processos elementares, tais como estruturar conceitos. O
desenho é o reflexo desse conceito e um processo de interpretação do visível. A composição é o
instrumento mais relevante, para se responder à variedade de programas, sendo o mecanismo
capaz de solucionar a relação entre forma e programa. Como objeto cultural, os edifícios
conjugam simultaneamente a realidade material e a realidade simbólica. A matéria surge como
elemento de suporte da configuração formal e espacial. A modalidade de representação define
autorias, construindo imagens com significados objetivos e subjetivos. Perceber como a forma
arquitetónica interage com os lugares potencia o entendimento conceptual e funcional e identifica
o lugar, qualificando-o como objeto de referência. Nesta perspetiva o exercício da Configuração
surge como elemento de certeza absoluta. A individualidade do objeto, o lugar, a memória e o
desenho são questões essenciais para a definição da qualidade da arquitetura. Partindo desta lógica, podemos afirmar que a arquitetura cruza o universo do arquiteto com o do cliente, num processo mental de figuração de imaginários, linguagens, expectativas, sonhos, tendo como consequência a (con)figuração das dimensões formais e espaciais do lugar e simultaneamente de (re) configuração da envolvente. (...)


Evidence: the capacity of architecture as an element of configuration begins in the intention to use
drawing as a process of metamorphosis of places. This statement is an absolute truth. Being the
place an entity, with specific characteristics - mainly its morphology, originates codes of
interpretation that, throughout the history of the architecture, present different resolutions,
supported in elementary processes, such as, to structure concepts. Drawing is the reflection of this
concept and a process of interpretation of the visible. Composition is the most relevant instrument,
to respond to the variety of programs, and the mechanism is able to solve the relationship
between form and program. As a cultural object, buildings combine both material and symbolic
reality.
Matter happens as a support element of the formal and spatial configuration. The modality of
representation defines authorship, constructing images with objective and subjective meanings.
Understanding how the architectural form interacts with places empowers conceptual and
functional understanding and identifies the place, by qualifying it as an object of reference. In this
perspective, the configuration exercise appears as an element of absolute certainty. The
individuality of the object, place, memory and drawing are essential questions for the definition of
the quality of the architecture. From this judgment, we can affirm that architecture crosses the
universe of the architect with that of the client in a mental process of figuration of imaginaries,
languages, expectations, dreams, resulting in con (figuration) of formal and spatial dimensions of
space and simultaneously (re) configuration of the enclosed space. (...)

 (…)

Dez 2017

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