arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Editorial

por: Vítor Neves | victneves@sapo.pt

(CON)FIGURAÇÕES NA arqa | (CON)FIGURATIONS AT arqa

Vivemos num mundo onde pontuam as tecnologias de informação. E onde a imagem, ou antes, o
poder (e a persuasão) da imagem é quase lei. Não admira, pois, que as questões de forma, ou
melhor, "da" forma despontem, de novo com grande impacto nos nossos dias. Digo "de novo" pois
sabemos que este fenómeno do primado da forma sobre tudo o resto, é mais ou menos cíclico na
história da Arquitetura. Mas se nos remetermos à história recente do século XX e em particular às
ultimas décadas desse século e a algumas tendências do movimento Pos-Modern, sabemos que
a forma se tornou uma obsessão, um "esteticismo" da forma pela forma, que em alguns casos chegava ao delírio. Delírio do vazio , talvez ,porque em verdade essas formas apenas pretendiam ser figuras de uma originalidade vazia que se tornava banal na maioria dos casos, e a prova disso é que essas formas acabavam por ser repetidas e apropriadas por outros agentes que pouco ou nada tinham a ver com Arquitetura. Figuras que "configuravam" personagens construídas em paisagens urbanas, enfadonhas, tristes, na maioria dos casos.

É este fenómeno que agora se repete: uma atração pelo imediatismo (e mediatismo) das formas complexas, espetaculares, estridentes de arquiteturas mediáticas, fotogénicas. A renovada atração que os arranha-céus exercem sobre muitos estudantes de arquitetura é reveladora deste fenómeno que se concentra apenas no potencial plástico da "exterioridade" das formas, os seja da sua figuração tout-court. E isso leva-nos ao tema (Con)Figurações escolhido para este número da arqa e para o significado do substantivo Configuração - a forma exterior dos corpos - e também para o significado mais abrangente de configuração enquanto "composição", ou seja, uma(s) figura(s) que resulta(m) de um grupo de elementos dispostos com uma certa ordem. (...)


We live in a world punctuated by information technologies. And where the image, or rather, the
power (and persuasion) of the image is almost law. No wonder, then, that questions of form
appear, again, with great impact in our present days. I say "again" because we know that this
phenomenon of the primacy of form over everything else is more or less cyclical in the history of
Architecture. But if we refer back to the recent history of the twentieth century and in particular to
the last decades of this century and to some trends of the Pos-Modern movement, we know that
form has become an obsession, an "aestheticism" of form by form, which in some cases was
delirious. Delirium of emptiness, perhaps, because in truth these forms were only meant to be
figures of an empty originality that became banal in most cases, and the proof of this is that these
forms were eventually repeated and appropriated by other agents who had little or nothing to do
with Architecture. Figures that "shaped" characters built in urban landscapes, boring, sad, in most
cases.
It is this phenomenon that is now repeated: an attraction for the immediacy (and for the media
power) of complex, spectacular, strident forms of mediated , photogenic architectures. The
renewed attraction of skyscrapers to many students of architecture is revealing of this
phenomenon, which focuses only on the plastic potential of the "exteriority" of forms, or of their
tout-court figuration. And this brings us to the theme (Con) Figurations chosen for this number of
arqa and for the meaning of the noun Configuration - the outer form of the bodies - and also for the
more comprehensive meaning of configuration as "composition", ie one s) figure (s) resulting from
a group of elements arranged with a certain order. (...)

 (…)

Dez 2017

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