arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Itinerâncias

por: Luís Santiago Baptista e Paula Melâneo

Entrevista a Marta Sequeira e Susana Rato

Exposição Carrilho da Graça: Lisboa, Garagem Sul, Centro Cultural de Belém

> A exposição Carrilho da Graça: Lisboa, patente na Garagem Sul do Centro Cultural de Belém, não se assume como uma antológica, mas como a mostra de uma abordagem territorial através da seleção de uma série de exemplos projetuais. Tendo em conta o vosso papel de curadoras da exposição, como caracterizariam a singularidade da arquitetura de Carrilho da Graça?

A arquitectura portuguesa é comummente associada, desde há largos anos, à estreita relação que estabelece com o sítio. Ora a singularidade da arquitectura de João Luís Carrilho da Graça – e que tem vindo, progressivamente, a fazer escola – prende-se precisamente com a relação que estabelece com uma entidade física mais alargada, a que intitula território. De facto, na altura da sua formação, entre 1972 e 1977, as obras teóricas nas quais se baseava a maioria dos debates arquitectónicos em Portugal estavam muito baseadas na interpretação do sítio: Architettura della città, de Aldo Rossi, e Complexity and Contradiction in Architecture, de Robert Venturi. No entanto, a base mais evidente para o método de Carrilho da Graça de aproximação ao projecto é uma obra de José Ignacio Linazasoro – Permanencias y arquitectura urbana – e, sobretudo, duas obras de Gianfranco Caniggia – Composizione Architettonica e tipologia edilizia e Strutture dello spazio antrópico. Ao contrário da ideia de “construir na cidade” presente no debate italiano da época, estas obras, que ainda hoje fazem parte da biblioteca pessoal de Carrilho da Graça, têm como fundamento a obra teórica de Saverio Muratori, que preconiza uma estratégia de pensamento que parte da analogia que pode ser estabelecida entre a construção de uma ideia de cidade e a representação geográfica do lugar, uma relação que se baseia na recuperação do elo entre a disciplina da arquitectura e os estudos de geografia física. A partir daqui, Carrilho da Graça elabora uma verdadeira teoria do território, base para qualquer uma das suas intervenções arquitectónicas, que compreende o facto de as linhas e pontos notáveis que caracterizam a topografia estarem na base dos percursos e assentamentos humanos e, portanto, da construção da cidade e da sua arquitectura.

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Dez 2015

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