

Investigações
Este artigo pretende explorar a possibilidade de se poder caracterizar uma importante produção arquitetónica contemporânea através de um jogo de fuga à materialidade. Não se trata de anular a sua condição de objeto, mas afirmar como seus temas estruturantes a leveza, a graciosidade, a atmosfera e a transparência. Movimentos estes que possuem correspondentes em certos gestos escultóricos. Esta vocação à imaterialidade não é conseguida exclusivamente através da aplicação de sistemas complexos construtivos com novas possibilidades tecnológicas, mas igualmente - e este é o nosso argumento - através do domínio profundo do material com que constroem. Ou seja, certas obras anulam a condição extrema da sua materialidade não através da eliminação ou substituição da matéria pesada e rude por existências mais "leves" e "transparentes", mas sim através de uma manipulação de tal modo exemplar da matéria que lhe permite ultrapassar a própria condição material dos objetos que produzem.
Neste sentido, a arquitetura conhece duas modalidades de fuga à materialidade: a reinvenção da matéria através da pesquisa e aplicação de sistemas construtivos de alta tecnologia, tentando assim satisfazer o desejo de imaterialidade e leveza; e, em contraponto, um segundo caminho feito através de um processo de intensificação material, ou seja, a matéria é carregada de qualidades "extramateriais" e, de um algum modo, consegue ultrapassar a sua própria materialidade e transformar-se, diria o arquiteto Peter Zumthor, numa atmosfera. Este é o contexto para formular e problematizar um discurso sobre a fuga da materialidade que tanto a arquitetura, como a arte contemporânea, apresentam, colocando em causa conceitos e tipologias das normas estéticas convencionais sobre a definição de objeto arquitetónico e artístico.
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