

1. No editorial do recente J.A sobre o tema "ser digital", Manuel Graça Dias desenvolvia uma posição crítica, algo que falta na nossa cultura disciplinar. Graça Dias manifestava, com a escrita sedutora a que nos habituou, a sua desconfiança pelo que denominou de "equívocos digitais". Partilhando de algumas das suas dúvidas sobre a temática, não deixamos de sentir algum incómodo com a resistência a encarar a afirmação do digital de uma perspetiva mais construtiva e positiva. O foco dessa sensação estava no enquadramento da questão a partir de lógicas oposicionais: "a possibilidade de armazenar, processar e comunicar informação a partir de sistemas binários, opondo-se a essa outra forma de compreensão (analógica) do mundo, feita de forma direta, resultante da nossa observação".1 Neste sentido, "analógico" versus "digital", "poética" versus "estatística", "inclusivo" versus "exclusivo" formariam universos referenciais distintos, como opções diferentes para uma mesma realidade. Esta colocação do problema limita mais do que expande a questão do digital, suscita mais obstáculos do que cria pontes entre domínios que hoje consideramos inultrapassáveis. A verdade é que esta conceção dualista continua a dominar a disciplina da arquitetura, impossibilitando uma contaminação mais produtiva entre estes territórios. Assim, a necessidade de quebrar as barreiras entre campos que tendem para a autonomia e a vontade de investigar as transformações trazidas com a afirmação insuperável do digital trouxe-nos a este tema. Mas a consciência da dificuldade em explorar um campo tão complexo como este, levou-nos igualmente a estabelecer, pela primeira vez, uma parceria editorial, contando com dois editores convidados a estruturar este número connosco. A colaboração da equipa redatorial da arqa com Alexandra Paio e Brimet Silva foi assim a base necessária e fundamental para a construção deste número sobre "processos digitais". Ficam, desde já, os nossos sinceros agradecimentos aos dois professores e investigadores, sem os quais este número não teria sido possível.
(…)Abr 2013

A arquitetura é sempre um ato de invenção. Esta preposição pode parecer ambiciosa e até presunçosa, mas é fácil aceitá-la se partirmos do princípio que a arquitetura envolve sempre um…
Mar 2019
A filosofia subjacente à celebração do Ano Europeu do Património Cultural (AEPC) em Portugal radicou, desde o momento da sua apresentação, em setembro de 2017, na participação ativa da sociedade…
Dez 2018