arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Projectos

Reconversão do Teatro Thalia, Lisboa

Gonšalo Byrne + Barbas Lopes

Arquitetura: Gonçalo Byrne + Barbas Lopes (Patrícia Barbas e Diogo S. Lopes)
Colaboração: Hugo Ferreira, João Neves, Lígia Ribeiro, Luca Martinucci, Tânia Roque
Cliente: Ministério da Educação e Ciência
Engenharia: AFAconsult, Natural Works
Construção: ACF
Área: 1.600,00 m²
Data: 2008-2012
Custo: 2.700.000,00€
Texto: Barbas Lopes Arquitectos
Fotografia: Daniel Malhão - DMF

O Teatro Thalia foi inaugurado em 1843, pelo Conde de Farrobo. Ficava nos arredores da Lisboa do séc. XIX, em frente ao palácio e jardins da antiga Quinta das Laranjeiras. Amante das artes, o Conde de Farrobo usou o edifício para mostrar teatro e ópera aos seus amigos. E, também, para organizar festas extravagantes, entre luxos aristocráticos e membros da corte. Em 1862, um incêndio destruiu o edifício e toda a sua decoração exuberante em talha, espelhos e lustres. Nessa altura, já o Conde de Farrobo perdera a sua fortuna. Morreu falido e na miséria.
Durante quase 150 anos, o Teatro Thalia ficou em ruínas. Enquanto Lisboa se espraiou até ele, o Jardim Zoológico foi para os terrenos da antiga Quinta das Laranjeiras. Em 2008, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (agora Ministério da Educação e Ciência) encomendou um estudo para reconverter o Teatro Thalia num espaço polivalente. Esta instituição ocupa o antigo palácio, em frente ao teatro.
Para consolidar as paredes existentes, em risco de colapso, o exterior foi coberto por betão desativado. As ruínas serviram como cofragem perdida, enquanto a pele de betão reconstruiu os volumes originais da plateia e da cena do teatro. No interior, a ruína foi deixada intacta, com as marcas do tempo que passou. De resto, infraestruturas mínimas criam uma arena que pode ser adaptada a vários usos: exposições, conferências, receções, concertos ou mesmo representações cénicas.
Um corpo novo, de um só piso, recebe o programa de apoio: portaria, serviços e cafetaria. Este pavilhão envidraçado confina uma pequena praça nas traseiras do edifício e serve de moldura à construção primitiva do Teatro Thalia. Por outro lado, faz frente de cidade para a Estrada das Laranjeiras. Os painéis de vidro do pavilhão espelham, com reflexos dourados, o que está em seu redor. A entrada é feita pelo átrio original, reconstruído num estilo "neo-neo-clássico" que inclui um friso canelado, feito com moldes de esferovite, bem como novos trabalhos de cantaria em lioz. No exterior, o peristilo e as esfinges em mármore foram restaurados. Na fachada, foi reposta a inscrição "Hic Mores Hominum Castigantur." Por outras palavras, "Aqui serão castigados os costumes dos homens".
A reabilitação do Teatro Thalia combina as partes novas e antigas do edifício num lugar urbano com vistas para o Jardim Zoológico. O projeto devolve a presença do passado como um espaço para a fantasia, a imaginação e a vida na cidade.

Fev 2013