

Em edições anteriores, muito recentes, falou-se no tema das pequenas séries, no design de autor, na tentativa de uma nova definição para o design e de uma legitimação da sua prática, enquanto prática autónoma que não precisa de descrever um percurso industrial para se definir e ocupar um lugar seguro, enquanto disciplina projetual.
Sendo assim, qualquer um pode ser "designer", tendo em conta o princípio construtivo de um "faça você mesmo", conhecido em língua inglesa como "Do It yourself", ou o termo, abreviado, DIY.
O que isto quer dizer é que para se descrever um percurso em design, sério e detentor de qualidade e criatividade não é necessário montar uma grande infraestrutura, repleta de preciosismos técnicos avançados. Uma parafernália tecnológica, ruidosa que, por vezes, ao invés de facilitar o exercício criativo, o impede de olhar para o que é secular, autóctone e verdadeiramente "nosso", presente no quotidiano. Por outras palavras, há que colocar as prioridades no seu devido lugar. Design sim, vive da técnica, mas não somente da provinda da indústria massiva, esta atida ao que a economia dita de natureza mais global, mais vulnerável às oscilações do mercado e aos interesses meramente de lucro.
Querer definir o design, como o fazia Edgar Kaufmann, Jr, ao traçar 10 preceitos para um "Bom Design": é o mesmo que querer colocar todas as pessoas do nosso mundo a praticar a mesma religião. Embora alguns dos princípios definidos por Kaufmann ainda sejam aplicáveis nos nossos dias e pertinentes, outros há que resultam redutores e conduzem (ou conduziram) o design a um beco sem saída. Princípios como: "O design deve ser simples, a sua estrutura evidente na sua aparência, evitando enriquecimento histriónico". Pode levar a um perigoso exercício de supressão de aspetos emocionais do design que também são fundamentais para a vivência do indivíduo, bem como para a salvaguarda da sua identidade. Tornar estes princípios universais conduziu a um empobrecimento da cultura material que caracterizava cada região. A indústria com poder para se alastrar globalmente desferiu golpes no saber fazer popular, extinguindo a pouco e pouco, os testemunhos materiais de um saber viver local nativo. Foram-se perdendo os artesãos que sabiam fazer aquelas artes, que não se vendiam nas grandes superfícies ou nas montras apelativas das grandes cidades. Ora isto também tem repercussões negativas na indústria turística. Se nos visitam, então o que temos para mostrar?
Mai 2012

Pierre Francastel, no seu capítulo primeiro, Os Mitos da Mecanização, estabelece as "modalidades" do encontro entre uma "concepção histórica da arte e as transformações materiais do mundo". Para o…
Abr 2013

Em Setembro de 2011, o designer português Filipe Alarcão expunha - em "Introspectiva", no Museu de Design MUDE - as composições coloridas "Cubos". Consistiam as mesmas numa derivação da…
Fev 2013