

No site da Tate Modern pode ler-se o seguinte aviso: a grande procura de bilhetes para a exposição de Damien Hirst em Londres aconselha a que os visitantes reservem as entradas com antecedência. O tempo para aquisição de bilhetes estima-se numa hora e, após a sua compra, o sistema de bilhetes cronometrados implica, em média, quatro horas de espera.
Bem vindos ao turismo cultural! O aviso não deixa de surpreender mas nos últimos tempos tem-se multiplicado o número de episódios semelhantes, associados à afluência massificada de público às exposições e aos museus das grandes capitais. Se o fenómeno não é novo, pois assistimos ciclicamente à realização de exposições com grande efeito de popularidade, o que parece paradoxal é que esta tendência contrasta com a situação de crise vivida por muitos museus construídos nos últimos anos, como parte de uma estratégia de regeneração económica e urbanística das cidades. Todavia, este sucesso longe de contrariar o cenário de crise, apresenta-se como uma tentativa de superação da conjuntura desfavorável através do aumento das fontes de financiamento. A estratégia passa por oferecer mostras de nomes mediatizados, que asseguram o interesse e a afluência do grande público, eventualmente reforçadas por campanhas agressivas e bem desenhadas de marketing, que incluem a comercialização de edições e objetos alusivos. O próprio mercado de arte necessita destas iniciativas que ajudam a aumentar o reconhecimento público de artistas e a incentivar os colecionadores a investir em valores estáveis e legitimados do ponto de vista institucional.
A exposição de Damien Hirst está naturalmente traçada para captar as vagas de visitantes que se deslocarão a Londres, por ocasião das Olimpíadas de 2012. E tem tudo para ser um sucesso cultural e turístico já que reúne as condições ideais para este tipo de modelo expositivo: apresenta-se como a maior e a mais exaustiva mostra realizada até à data no Reino Unido, de um artista polémico, britânico, que conta com algumas das peças emblemáticas e controversas do criador, como The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living.
Neste aspeto os mais importantes museus de Londres estão a ser implacáveis, no último ano sucederam-se exposições de grandes nomes como Gerhard Richter, também na Tate Modern, que atraiu uma multidão de visitantes, ou "Leonardo da Vinci: Pintor na Corte de Milão" que decorreu até 5 de fevereiro de 2012, na National Gallery. Esta exposição, não apenas bateu recordes de bilheteira, como foi fonte de alguns problemas até agora pouco comuns no mundo da arte, a revenda de bilhetes para a exposição que no site de leilões online eBay foram "oferecidos" a 600 libras. Esta foi uma das alternativas desaprovada pela instituição mas que surgiu em consequência de se terem esgotado os bilhetes de reserva antecipada e as entradas de venda diária implicarem três horas de espera, antes das inevitáveis filas de entrada para a exposição.
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