

O título "Higher Atlas" definido pelos dois jovens curadores da Bienal de Marraquexe deste ano - Carson Chan e Nadim Samman - interpreta-se "mais elevado" (high) que conota sonho e transcendência, assim "Para além do Atlas" sugere uma cartografia do além. Referindo-se igualmente à geografia circundante, pois as montanhas do Atlas são visíveis de todos os locais da Bienal, dentro e fora da velha Medina de Marraquexe. A exposição consiste numa série de viagens, físicas e virtuais; dizem-nos: outros mundos vão começar a vossos pés. Esta tese foi explorada através de intervenções site-specific de arte, arquitetura, música e texto durante a semana de abertura de mais uma Bienal, entre as muitas que já existem.
A Bienal de Marraquexe surge em 2004 pela AiM - Arts in Marrakech - com o objetivo de promover o estatuto do artista e da cultura contemporânea no Norte de África, dinamizando a cena criativa regional. Com início em 2005, fomenta as trocas interculturais e interdisciplinares através de uma abordagem pedagógica dirigida a profissionais do mundo da arte, estudantes e público em geral. Em Fevereiro, a 4ª edição celebrou-se principalmente devido à ambição de uma pessoa, Vanessa Branson, fundadora e principal financiadora do evento.
E esta edição não correria tão bem e poderá nem atingir todos os objetivos traçados - principalmente chegar ao público local e internacional, e estabelecer uma plataforma de igualdade de acesso - quando termos como "públicos", "imagem", "diálogo", "experiência" e "receção" nunca têm uma base comum. Nos eventos associados, como conversas e debates realizados e trazidos a público por instituições locais e convidados internacionais, foi Katarzyna Pieprzak (Professora na Williams College e autora de "Imagined Museums: Art and Modernity in Postcolonial Morocco"), que questionou: "Como é que a arte reconhece os seus públicos?" e "Como é que a arte encontra os seus públicos?". Estas considerações, devidas à inexistência de sinalização e informação no local da Bienal e na cidade, e o sentimento de frustração de alguns participantes, esteve presente durante toda a visita e experiência da Bienal, que poderia facilmente não ser encontrada ou até ser confundida com um evento de elites.
No catálogo da Bienal ("Higher Atlas/Au-Delà de l'Atlas", Sternberg Press 2012), que acaba por equilibrar o enquadramento curatorial falhado da exposição, os capítulos "Let me entertain you: a consideration of context and audience in curating the Marrakech Biennale" & "The shifting site" explicam as ambições iniciais e como foi possível levar em frente uma exposição com instalações e trabalhos site-specific, depois do cancelamento do principal espaço previsto para os eventos.
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