


Arquitetura: Kazuyo Sejima & Associates
Diretor de Arte: Yuko Hasegawa
Artista convidado: Yukinori Yanagi Design team
Estruturas: Sasaki Structural Consultants, Atelier Shimamura
Mecânica: Scientific Air-conditioning Institute
Plantação: Akaruiheya Inc.
Empreiteiro geral: Ohmoto Gumi Co.,Ltd
Cliente: Naoshima Fukutake Art Museum Foundation
Áreas construídas: F-Art House 122.08 m²; S-Art House 63.85 m²; I-Art House 49.75 m²; Nakanotani Gazebo 62.70 m²
Datas: 2008 abril - 2009 maio (projeto); 2009 junho - 2010 junho (construção)
Texto: Kazuyo Sejima & Associates
Fotografia: ©Kazuyo Sejima & Associates, Iwan Baan
Existe uma pequena aldeia em Inujima que é uma pequena ilha no Mar interior de Seto. O nosso projeto foi pensado de forma a dar nova vida à aldeia, ao concretizar espaços de exposição dentro e à volta da paisagem habitada existente. Os espaços de exposição foram criados a partir da renovação de casas abandonadas e da sua envolvente. Algumas das casas foram reconstruídas utilizando acrílico e alumínio porque a sua estrutura já não era viável. A ilha está coberta de pequenas colinas cheias de vegetação rica. Cada local espalhado um pouco por toda a aldeia tem características únicas. Os espaços de exposição estão projetados de modo a fundirem-se com a paisagem. Por exemplo, casas com boas estruturas de madeira foram abertas para as tornar mais luminosas, ao mesmo tempo que tira partido de toda a estrutura e da paisagem distante do mar. Consegue sentir-se o verde através das paredes transparentes de acrílico nos lugares entre as montanhas. Aplica-se alumínio com um acabamento espelhado nas zonas em que continuam as fileiras de casas, de modo a que as casas circundantes e as vidas que lhe são inerentes sejam refletidas nestes espaços de exposição. Uma nova paisagem, que inclui as várias residências já existentes, a arquitetura e arte unem-se ao pacífico cenário local. Tínhamos como objetivo criar um novo tipo de museu, onde toda a aldeia é um museu e o ambiente em si cria um novo cenário.



Arquitetura: Estudio Barozzi Veiga - Fabrizio Barozzi e Alberto Veiga
Colaboradores: Paulo Lopes, Tanja Oppowa, Antonio Pinto, Agnieszka Samsel, Antonis Vourexakis
Especialidades: ARDEVOLS - Roser, Salvador Segura, Ignacion Choliz (arquitetura técnica e restauração); BOMA - Diego Martin (estruturas); GRUPO JG - Secreteria (instalações)
Cliente: Consejo Regulador Ribera Duero
Área: 7.220 m²
Custo: 1048,30 euros/m2
Datas: 2005-06 (concurso); 2008-10 (obra)
Texto: Estudio Barozzi Veiga
Fotografia: Estudio Barozzi Veiga
O lugar de intervenção, no extremo da cidade, foi esculpido pela própria cidade e pela paisagem e o projeto interpreta estas condições, revelando as características essenciais que nos levam a compreende-la.
O edifício torna-se num elemento de transição. Consciente da recomposição do contexto de pequena escala, ao mesmo tempo estabelecendo monumentalmente um diálogo com horizonte e paisagem, através do volume da torre. Um monólito intemporal suspenso sobre a planície. A materialização do edifício, através da pedra, é entendida como uma intensificação da natureza do local, que permite a composição de uma invocação sensorial da paisagem. No entanto, a presença da diferença, em que o projeto exprimiu a sua condição, é radicalmente contemporânea.



Arquitetura: Francisco Vieira de Campos
Coordenação de Projeto: Francisco Vieira de Campos
Equipa: Mariana Sendas, Cristina Maximino, Inês Mesquita, Luís Campos, Adalgisa Lopes, Francisco Lencastre, Joana Miguel, Tiago Souto e Castro, Ana Leite Fernandes, João Pontes, Miguel Brochado
Cliente: Quinta do Vallado, Sociedade Agrícola, Lda
Estruturas: Adão da Fonseca, Tiago Alves - ADFconsultores, SA
Instalações: Fernanda Valente - Newton-C, Lda (hidráulica); Raul Bessa - GET, Lda (mecânica); Raul Bessa - GET, Lda (gás); Fernando Aires - GPIC, Lda (equipamentos eléctricos, segurança e telecomunicações); Daniel Bastos - Metalúrgica Progresso, Lda (equipamentos de viniação)
Acondicionamento Acústico: Raul Calejo - SOPSEC, SA
Arruamentos: Homero Correia
Construtor: Ferreira Construções, SA
Localização: Vilarinho de Freires, Peso da Régua, Portugal
Datas: 2007-2010 (projeto); 2008-2011 (construção)
Área: 4.142 m²
Fotografia: Alberto Plácido
A proposta de ampliação da Adega na Quinta do Valado concilia a necessidade de expansão da adega existente com a correta integração na paisagem natural.
A intervenção prevê a manutenção dos edifícios existentes, complementando-os com a reestruturação necessária à construção de novos edifícios: Armazém de Fermentação, Armazém de Barricas e Receção.
A resolução de uma adega que funciona por gravidade obriga ao entendimento de todo o sistema produtivo e a um grande rigor, disciplina e restrição na implantação das cotas dos edifícios. Os novos volumes criam uma relação de tensão e equilíbrio entre edifícios e topografia, integrando-se no terreno sem deixarem de afirmar a sua natureza artificial.
O Armazém de Barricas, simultaneamente, autonomiza-se e dialoga com a paisagem, tomando como base a topografia dos socalcos do Douro. Uma grande massa encrostada no terreno remata numa consola. Assim o edifício ora se agarra ao solo, tornando-se rocha e barreira física, ora se solta, permitindo o seu atravessamento.
O projeto concilia a estrutura e infraestrutura na conceção de uma forma ancestral abobadada. Com volume exterior paralelepipédico e espaço interior abobadado, o Armazém de Barricas apresenta uma massividade que permite um bom desempenho térmico. A omissão do material não resistente da parede possibilita a criação duma caixa-de-ar, simultaneamente túnel de infraestruturas e sistema de ventilação natural.
Todos os volumes são construídos em betão com acabamento bujardado no interior enquanto no exterior são revestidos a pedra de xisto local.



Arquitetura: Manuel Aires Mateus, Francisco Aires Mateus
Coordenção: Patrícia Marques
Colaboradores: Valentino Capelo de Sousa, Mariana Barbosa Mateus, Susana Rodrigues, Joana Simões, Catarina Belo, Francisco Caseiro, Vânia Fernandes, João Caria Lopes
Localização: Lagoa das Furnas, S. Miguel, Açores, Portugal
Cliente: SPRAçores
Especialidades: AFAssociados
Paisagismo: João Nunes - PROAP
Construtor: Somague
Áreas: 80.000 m² (intervenção); 1.130 m² (construção)
Data de construção: 2008/2010
Texto: Aires Mateus
Fotografia: FG+SG (www.ultimasreportagens.com)
Foi intenção do projecto evocar a paisagem arquitectónica dos açores, numa linha de continuidade com as formas e os materiais que moldam a memória colectiva da ilha e do arquipélago, e do qual são já, pela força do tempo, uma espécie de segunda natureza. Assim os edifícios são volumes arquetipais, simples e compactos, revestidos com a pedra basáltica da região.
Centro de Monitorização e Investigação das Furnas
Sendo o edifício mais excepcional, o Centro de Monitorização e Investigação das Furnas recorre a um espaço intermédio entre o exterior e o interior - o pátio. Este surge como subtracção ao volume, recortando-o desde a zona central (vértice das quatro águas) até rasgar um dos alçados, possibilitando assim o acesso ao interior. É a partir deste pátio que se revelam os compartimentos principais do edifício. Estes espaços, truncados pelo pátio, mantêm todas as relações de interior / exterior fruto dos vãos existentes. O edifício é foi assim concebido como uma escultura, como um bloco de matéria prima, que intencionalmente se recorta para captar a luz e a própria Lagoa.
Residências
O edifício das residências temporárias é um volume compacto de quatro águas, compartimentado em quatro residências. O edifício é rasgado em cada um dos quatro alçados de pedra por um vão de madeira que permite a entrada de luz e o acesso a cada uma das unidades residenciais.
Existe uma hierarquia de alturas entre as quatro residências relacionada com a orientação solar de cada unidade. A parede exterior do edifício funciona como um muro, estrutural, onde passam as infraestruturas necessárias, em oposição às paredes interiores, leves, em madeira.



Arquitetura: Manuel e Francisco Aires Mateus
Colaboradores: Maria Rebelo Pinto (coordenação), Humberto Fonseca
Cliente: João Rodrigues
Datas: 2008-2009 (projeto); 2009-2010 (construção)
Paisagismo: Álvaro Manso
Estrutura: Copreng
Tratamento do Ar, Eletricidade, Águas e Esgotos: Copreng
Área: 180m²
Texto: Aires Mateus Arquitectos
Fotografia: Aires Mateus Arquitectos
O projeto responde a condições muito particulares. Recupera construções pré-existentes em madeira e alvenaria, unificando o conjunto com a cobertura em colmo. Desenha-se a partir das materialidades existentes em função de possibilidades de habitar. O programa propõe a recuperação de cada um dos volumes em alvenaria para quartos individuais, um dos volumes em madeira para dois quartos e outro para as áreas de convívio. A distribuição é feita pela rua, através do areal que liga todas as construções. Esta matéria, tratada, estende-se para o interior das áreas sociais procurando um conforto natural da condição já existente. A continuidade de um material tão forte como a areia do chão torna os espaços interiores numa outra escala e o habitar ganha uma poética própria de um tipo de uso pretendido.



Arquitetura: Carlos Quintáns Arquitecto
Colaboradores: Borja López Cotelo, Maria Olmo Béjar
Cliente: Ángel Baltanás
Estrutura: E³ (Francisco Carballo - Carolo Losada)
Construção: Carlos López
Áreas: 96,58 m² (construída). 61,48 m² (útil)
Custo: 1.135,95 euros/m²
Orçamento: 110.000 euros
Datas: 2008 - 2010
Texto: Carlos Quintáns Arquitecto
Fotografia: Ángel Baltanás
Paderne é uma daquelas aldeias que preserva uma outra época, outros sabores, outras cores. Neste local marcante esteve assente um velho celeiro com uma construção moderna por cima.
Demoliu-se a nova adição e preservaram-se as antigas paredes grossas que foram usadas como base para uma nova estrutura de madeira. O piso térreo alberga quartos e o piso superior é um miradouro, uma plataforma para observar o espetáculo topográfico. Os quartos são abrigados entre paredes mestras, enquanto que uma estrutura de madeira abriga a vida.
A casa está organizada numa espiral e o acesso localiza-se num ponto intermédio. O ponto mais alto é a cozinha, o mais baixo são os quartos. O espaço contínuo do piso superior está fragmentado em dois níveis diferentes que garantem privacidade ao acesso principal permitindo que o poder total da paisagem se manifeste.
A nova estrutura foi feita em madeira laminada construída sobre paredes mestras de pedra, e as estruturas do piso são também em madeira. A cobertura inclinada é uma reminiscência dos edifícios antigos da aldeia, enquanto que a textura rude da fachada evoca as fachadas tradicionais de madeira de castanheiro, que há séculos se constroem neste local.



Arquitetura: architecten de vylder vinck taillieu - Jan De Vylder, Inge Vinck, Jo Taillieu
Equipa: Jan De Vylder, Inge Vinck, Jo Taillieu, Sebastian Skovsted, Olivier Goethals
Estrutura: Arthur De Roover structureel ontwerp, Gent
Empreitadas: gebroeders De Clercq bvba, Lochristi (carpintaria); Ducla bvba, Beernem (cobertura); Van Eeghem bvba - Sint-Amandsberg, Alumetal bvba - Wingene, os próprios clientes (acabamentos)
Área: 182 m²
Datas: 2007 - 2011
Texto: architecten de vylder vinck taillieu
Fotografia: Filip Dujardin, architecten de vylder vinck taillieu
Trata-se.
Acerca: daquela janela saliente e daquela nuvem.
Acerca: daquela bela parede cega que está à espera da construção de uma casa adjacente. Dos tijolos e das placas em forma de diamante. Ou: dos desenhos.
Acerca: daquele lindo amarelo.
Acerca: daquela casa robusta. Massa. E vazio.
Acerca: do Piet e da Ellen.
O Piet e a Ellen compram uma casa. Uma casa a sério. No sopé do Koppenberg. Rotelenberg. Rot Ellen Berg. A Ellen e o Piet têm trabalhado na casa. Há quatro anos. Eles mesmos. Devagar. Mas melhor assim. Fazê-lo da forma correta; com tempo.
Construir com o Piet e a Ellen é uma conversa. Uma tomada de consciência de como são as coisas. Assim, passados quatro anos, as coisas estão bem diferentes do que anteriormente; ou do que o esperado no primeiro ano.
Depois estivemos meses parados por causa das janelas salientes espelhadas. Primeiro por causa da maneira como as fazer. E depois a olhar para elas. E a olhar novamente.
Espelho.
Ou como um elemento estritamente construtivo se reflete a si mesmo. O suporte lateral do arco e a janela saliente. Por detrás do espelho está o que não pode ser visto. No espelho, pode-se ver o que não está lá.
Azulejo.
Por detrás do azulejo está o que não pode ser visto. No azulejo, pode-se ver o que não está lá.
O espelho rastreia a realidade à sua frente. Através do desenho.
Como o Piet e a Ellen voltarem a brincar com MECANNO. Vigas amarelas e colunas prateadas. Vidro branco e elásticos pretos.
Uma casa dentro de uma casa. Separada de uma casa.
Uma casa que pretende lidar de uma forma completamente diferente com algo com que temos de ser tão zelosos hoje em dia: a sustentabilidade.
A sustentabilidade é como vivemos de maneira diferente no Verão. E no Inverno.
A sustentabilidade é onde queremos viver. Simplicidade.
O Piet e a Ellen estão fazê-lo eles mesmos. Eles estão a fazê-lo eles mesmos. Têm que o fazer eles mesmos. Os clientes fizeram-no eles mesmos. Tudo. Economia. E desafiam-nos. E, no entanto, poesia.
A casa será um projeto de decisões precisas. Decisões que, vez após vez, impõem a mais rigorosa precisão e afinação. Decisões que se enquadrem com o contexto geral.



Arquitetura: Pedro Maurício Borges
Colaboradores: Rita Curica, Tiago Hespanha, Vitor Canas, Filipe Ferreira
Localização: Lugar de Netos, Ferreira-a-Nova, Figueira da Foz
Promotor: Câmara Municipal da Figueira da Foz
Estabilidade: ARA - Alves Rodrigues & Ass., Lda, Fernando Rodrigues (resp.)
Águas e Esgotos: Rita Martins
Eletricidade: Câmara Municipal da Figueira da Foz, Antonino (resp.)
Construção: Andrade & Teles, Lda.
Datas: 2004-2008
Texto: Atelier Pedro Maurício Borges
Fotografia: FG+SG www.ultimasreportagens.com, Atelier Pedro Maurício Borges
As capelas antigas tinham no sagrado a razão da sua implantação, isto é, o solo em que se fundavam seria de uma natureza singular, fosse pela topografia do sítio, dominando e protegendo uma paisagem, fosse porque ali seria o lugar de contacto ou revelação do divino. O terreno onde se ergue a Capela de Netos não tem nenhuma particularidade distintiva, a não ser a profana visibilidade da estrada. Será esta visibilidade o tema da Capela: o sentido da implantação é dado pela extrema proximidade a quem passa de carro.
Um nicho aberto no topo da Capela que confronta quem vem de noroeste abrigará a imagem do orago, que será simultaneamente visível do interior como retábulo do altar. Para a estrada, a imagem funcionará como uma alminha, marcando a deslocação automóvel com a presença do religioso. Vista a partir da nave, a imagem parecerá flutuar no exterior, uma vez que o nicho terá as paredes chanfradas de modo a que não seja percetível a espessura das paredes.
A Capela terá um revestimento monomassa com inertes em calcário semelhante à pedra de Ançã. Este material aproximará a forma piramidal da Capela à intemporalidade da construção em pedra, invocando ainda, com a cor, a cantaria dos monumentos da região e, com a textura, a areia do chão da Gândara.



Projeto: Opéra Pagaï
Conceção, direção artística e encenação: Cyril Jaubert
Direção técnica: Raphaël Droin
Participantes: Marius Chaperon, Raphaël Droin, Chantal Ermenault, Lionel Ienco, Jean-Noël Obert (os habitantes)
Coletivo fictício "Ici C'est Ailleurs": Cécile Delhommeau, Alice Fahrenkrug, Sébastien Genebes, Ingrid Hamain, Cyril Jaubert, Philippe Ruffini
Coordenação/comunicação: Ingrid Hamain
Administração: Sylvie Lalaude e Philippe Ruffini
Construção: Opéra Pagaï
Datas: 4 a 13 outubro 2011
Área: 276 m²
Custo: 130.000€ (global)
Textos: Opéra Pagaï
Fotografia e imagens: Vincent Muteau
Entreprise de Detournement: «uma falsa história contada à cidade, um desvio à realidade, uma imagem surrealista mas nem por isso menos real, um grande grão de areia na engrenagens do quotidiano para abalar hábitos e certezas, e depois deixar os habitantes assistir com um novo olhar o "espetáculo da cidade" onde cada um deles é ator em permanência»
«Um chão sobre a água». A nossa intenção é, durante 10 dias, de desviar o olhar e a perceção que os habitantes de Bordéus têm do seu rio. Queremos propor um outro ponto de vista, um enquadramento diferente, apontando um projetor sobre o Garonne para o iluminar sob um novo dia. Queremos criar um «pavimento sobre a água» fazendo viver em autonomia, sobre uma ilha flutuante de cerca 300 m2 no meio do rio, uma família com crianças e avô, árvores, relva, horta e galinheiro. Desejamos desviar as referências e abalar as certezas criando e habitando um pequeno espaço de campo no meio do rio... em pleno centro da cidade.
Interpelar a cidade.
Esta intervenção é também um meio de levantar um espelho deformador frente à cidade cidade. Os habitantes da ilha remetem-nos ao nosso quotidiano de habitantes de Bordéus. Interrogam-nos sobre a nossa condição de cidadãos do 3º milénio. Ao realizar este passo "lateral", eles questionam a cidade, o urbanismo e a sua capacidade de combinar ideais individuais dentro de um ideal coletivo.
O que fazemos todos dos nossos espaços públicos? De que espaços de liberdade individual nos podemos apropriar? Os nossos ilhéus vão também transmitir-nos os seus sentimentos sobre a cidade do seu ponto de vista único e mutável. Como vemos Bordéus daqui? Enfim, a partir de lá? O que parece a minha cidade quando vista "ao contrário"? Poderemos viver "fora da cidade" e na cidade? É verdade que parece um conto para dormir, mas é plausível e realista porque afinal existe: ele acontece ali, diante dos nossos olhos. Essencialmente, as pessoas que vivem nesta casa sobre a água são como nós... Podíamos ser nós... Esta criança que brinca no relvado ou o avô, que alimenta as suas galinhas no meio da água, poderiam ser os meus, ou até eu. Isto significa que esta aventura extraordinária está ao alcance de todos. Com a capacidade de se identificar, a pessoa comum pode-se apropriar da história e deixar-se levar pela poesia. Com esta imagem simples, queremos tocar a todos.
Sabemos que os habitantes da LA MAISON SUR L'EAU eram cientistas, arquitetos ou artistas, muitos transeuntes, uma vez a sua curiosidade passada, irão sentir-se menos preocupados, envolvidos, emocionados ou questionados...



Narrativa histórica:
Contextualização do Memorial "Julgamento das Bruxas" pela historiadora Liv Helene Willumsen.
Imagens do Projeto de Arquitetura de Peter Zumthor com intervenção artística de Louise Bourgeois na Estrada Turística Varanger (Ev 75) em Steilneset, na Noruega.
Os julgamentos por bruxaria em Finnmark, o distrito mais a norte da Noruega, tiveram lugar já a caminho do fim de um período onde se observaram perseguições de bruxas um pouco por toda a Europa. A caça às bruxas em Finnmark foi uma derivação dos julgamentos de bruxaria europeus, que aconteceram entre 1450-1750, atingindo o pico no século XVII. As acusações de bruxaria foram tratadas como casos penais. Durante a perseguição à bruxaria na Europa, foram acusadas cerca de 100000 pessoas. Destas, de 40000 a 50000 foram executadas, a maioria delas sentenciadas a arder na fogueira. Os julgamentos mais extremos foram na Alemanha, Suiça, Áustria, Polónia, Escócia e este de Finnmark. Na totalidade, na Noruega foram acusadas 750 a 800 pessoas de praticar bruxaria, das quais 300 pessoas foram executadas. Os tribunais noruegueses começaram a ditar sentenças de morte em julgamentos de bruxaria no final do século XVI e as perseguições duraram até ao século XVIII.
Os julgamentos de Finnamrk ocorreram entre 1600 e 1692. No decurso destes julgamentos, 135 pessoas foram acusadas de praticar bruxaria, 91 dos quais foram executadas. Isso signifca que dois terços dos que foram acusados de bruxaria em Finnmark, receberam sentenças de morte. A maioria das sentenças de morte eram diatadas em Vardø, a este de Finnmark, e, provavelmente, a maior parte das execuções foi levada a cabo em Steilneset, o local de execuções, em Vardø. A taxa de sentenças de morte assemelha-se às de partes da Europa onde as bruxas foram perseguidas com particular rigor. Quando aferimos a extenção da perseguição em Finnmark, também temos de ter em conta a dimensão da população. No século XVII, a população de Finnmark rondava os 3000, que era 0,8% da população da Noruega. No entanto, 16% dos julgamentos de bruxaria noruegueses ocorreram aqui. Estes valores indicam uma grande perseguição no distrito de Finnmark. Para além das sentenças de morte, as pessoas acusadas de bruxaria foram banidas, chicoteadas publicamente ou multadas.
O que sabemos dos julgamentos de bruxaria de Finnmark, datados de há cerca de 400 anos, resulta dos registos dos julgamentos nos tribunais locais. Os registos deram entrada em protocolos que estão agora armazenados nos Arquivos Regionais do Estado de Tromsø, na Noruega. Os registos mostram-nos o que aconteceu a uma pessoa desde que esteve perante um juiz, até a sentença ser pronunciada. As fontes dos julgamentos de bruxaria de Finnmark a que temos acessso estão em muito boas condições no que diz respeito a legibilidade, dado estarem bem preservadas. São únicas, em termos nacionais e internacionais, quanto à compleitude e riqueza de pormenores. (...)