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Projectos

Peter Zumthor

Contextualização do Memorial "Julgamento das Bruxas"

Narrativa histórica:
Contextualização do Memorial "Julgamento das Bruxas" pela historiadora Liv Helene Willumsen.
Imagens do Projeto de Arquitetura de Peter Zumthor com intervenção artística de Louise Bourgeois na Estrada Turística Varanger (Ev 75) em Steilneset, na Noruega.

Os julgamentos por bruxaria em Finnmark, o distrito mais a norte da Noruega, tiveram lugar já a caminho do fim de um período onde se observaram perseguições de bruxas um pouco por toda a Europa. A caça às bruxas em Finnmark foi uma derivação dos julgamentos de bruxaria europeus, que aconteceram entre 1450-1750, atingindo o pico no século XVII. As acusações de bruxaria foram tratadas como casos penais. Durante a perseguição à bruxaria na Europa, foram acusadas cerca de 100000 pessoas. Destas, de 40000 a 50000 foram executadas, a maioria delas sentenciadas a arder na fogueira. Os julgamentos mais extremos foram na Alemanha, Suiça, Áustria, Polónia, Escócia e este de Finnmark. Na totalidade, na Noruega foram acusadas 750 a 800 pessoas de praticar bruxaria, das quais 300 pessoas foram executadas. Os tribunais noruegueses começaram a ditar sentenças de morte em julgamentos de bruxaria no final do século XVI e as perseguições duraram até ao século XVIII.
Os julgamentos de Finnamrk ocorreram entre 1600 e 1692. No decurso destes julgamentos, 135 pessoas foram acusadas de praticar bruxaria, 91 dos quais foram executadas. Isso signifca que dois terços dos que foram acusados de bruxaria em Finnmark, receberam sentenças de morte. A maioria das sentenças de morte eram diatadas em Vardø, a este de Finnmark, e, provavelmente, a maior parte das execuções foi levada a cabo em Steilneset, o local de execuções, em Vardø. A taxa de sentenças de morte assemelha-se às de partes da Europa onde as bruxas foram perseguidas com particular rigor. Quando aferimos a extenção da perseguição em Finnmark, também temos de ter em conta a dimensão da população. No século XVII, a população de Finnmark rondava os 3000, que era 0,8% da população da Noruega. No entanto, 16% dos julgamentos de bruxaria noruegueses ocorreram aqui. Estes valores indicam uma grande perseguição no distrito de Finnmark. Para além das sentenças de morte, as pessoas acusadas de bruxaria foram banidas, chicoteadas publicamente ou multadas.
O que sabemos dos julgamentos de bruxaria de Finnmark, datados de há cerca de 400 anos, resulta dos registos dos julgamentos nos tribunais locais. Os registos deram entrada em protocolos que estão agora armazenados nos Arquivos Regionais do Estado de Tromsø, na Noruega. Os registos mostram-nos o que aconteceu a uma pessoa desde que esteve perante um juiz, até a sentença ser pronunciada. As fontes dos julgamentos de bruxaria de Finnmark a que temos acessso estão em muito boas condições no que diz respeito a legibilidade, dado estarem bem preservadas. São únicas, em termos nacionais e internacionais, quanto à compleitude e riqueza de pormenores. (...)

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