arqa—Arquitectura e Arte Contemporâneas — Portuguese Contemporary Architecture and Art Magazine

Projectos

LOT-EK

Edifício transportável "Puma City", Portos do Mundo

Aquitectura: LOT-EK, Ada Tolla + Giuseppe Lignano
Equipa: Keisuke Nibe, Koki Hashimoto, Project Architects
Cliente: PUMA / Antonio Bertone- Chief Marketing Officer
Estrutura: Robert Silman Associates
MEP Engenharia: Rosini Engineering
Iluminação: Tirschwell & Co, Inc.
Programa: comércio, escritórios + bar/espaço de eventos
Prémios: 2009 International Architecture Awards - The Chicago Athenaeum Museum; I.D. Magazine 2009 Menção Honrosa; T+L 2009 Design Award (Travel + Leisure) - Best Retail
Área: 1021.00m2
Data: 2007-08
Fotografia: Danny Bright


Transformámos e adaptámos 24 contentores navais no PUMA CITY, um edifício transportável de eventos e de lojas que está a viajar pelo mundo num barco de transporte Puma de 70 pés de comprimento - il Monstro - durante a Corrida Volvo Ocean, que decorreu durante todo o ano de 2008 e começou em Alicante, Espanha, no início de Outubro.
O edifício é completamente desmontável e viaja num navio de carga juntamente com os veleiros; vai ser montado e desmontado várias vezes à medida que atraca nos diferentes portos internacionais.
O edifício foi concebido como uma pilha de contentores de três pisos, deslocados de forma a criar espaços exteriores no interior, grandes consolas e terraços. A pilha tem a marca do logótipo super-gráfico da empresa - fragmentado devido às alterações da pilha.
O PUMA CITY é composto por dois espaços de venda nos pisos inferiores, ambos com pé-direito duplo, com espaços abertos com 4 contentores de largura, de forma a desafiar a qualidade de caixa modular do espaço interior do contentor; escritórios, zona de imprensa e de armazém, que ocupam o segundo piso, e um bar, zona de lazer e espaço de eventos com um grande terraço aberto, no topo.
O edifício usa contentores navais com cerca de 12.20m de comprimento e alguns dos conectores dos contentores existentes, para juntar e manter seguros os primeiros, tanto vertical como horizontalmente. Cada módulo está desenhado para embarcar como os contentores de carga convencionais, através de um sistema de painéis de cobertura que selam completamente todas as suas grandes aberturas, sendo posteriormente removidos de modo a ligar de novo os grandes espaços abertos interiores.
PUMA CITY é um edifício verdadeiramente experimental que tira completo partido da rede global naval existente. É o primeiro edifício que, com o seu tamanho de 1022.00 m², é totalmente móvel, projectado para dar resposta a todos os desafios arquitectónicos de um edifício do seu género, incluindo o respeito pelas regras de edificação internacionais, alterações climatéricas, sistemas de electricidade e de AVAC e operações de montagem facilitadas.

SANAA

Pavilhão Temporário Serpentine Gallery 2009, Londres

Arquitectura: SANAA - Kazuyo Sejima + Ryue NIshizawa
Equipa: Sam Chermayeff, Lucy Winter Styles
Cliente: Serpentine Gallery, UK
Consultores: Arup London, Sasaki Structural Consultants, structural; Arup London, mechanical Constructor: Stage One, UK
Sistema Estrutural: Estrutura de cobertura monolítica de dois sentidos suportada por pilares de aço colocados aleatoriamente
Área: 1,780 m² (lugar); 557 m² (construção)
Programa: Café e espaço de eventos
Data: 2009
Fotografia: Iwan Baan


O Pavilhão é alumínio flutuante que deriva, livremente, como fumo entre as árvores. A cobertura reflectora ondula pelo local, expandindo o parque e o céu. A sua aparência muda consoante o clima, de forma a misturar-se com o ambiente circundante. Funciona como um campo de actividades sem paredes, que permite que as paisagens se expandam ininterruptamente sobre o parque, facilitando o acesso por todos os lados.
A forma orgânica do pavilhão, que se estende em várias direcções, cria áreas com um carácter variado. A linha da cobertura é desenhada à volta de um espaço de eventos, um café, uma área de música e zona de lazer. É uma zona abrigada do parque onde as pessoas podem relaxar e desfrutar dos encantadores dias de Verão. A cobertura de 26mm de alumínio repousa, levemente, sobre as colunas, de 50mm de diâmetro, distribuídas, aleatoriamente, pelo parque. Umas partições curvas de acrílico providenciam um abrigo transparente criando ambientes confortáveis para eventos nocturnos e distorcendo, suavemente, a vista sobre o parque.

Baixa Atelier

Instalações para a Presidência Portuguesa Do Conselho Europeu, Lisboa

Equipa: Pedro Ravara, Nuno Vidigal, João Paulo Martins, (coordenação);
Eva Grillo, Ana Grácio, Fabiana Pavel, Maria Marques, Bruno Maltez, Filipe Barrocas
Acústica: Fernando Palma Ruivo, Engenheiro
Equipamento, Sinalização e Sinalética: João Paulo Martins, Nuno Caniça, Pedro Batista
Estabilidade: BETAR - Estudos e Projectos de Estabilidade, Lda
Instalações Técnicas Especiais: Tecnopert - Projecto e Planeamento, Lda
Imagem Gráfica: AlbuquerqueDesigners
Gestão e Fiscalização de Obra: Engexpor - Consultores de Engenharia
Estruturas: Martifer
Empreiteiro Geral: TeixeiraDuarte
Cliente: Missão da Presidência, Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal
Área: 7.550,00m2 (Sala Tejo); 1126,00m2 (Centro de Negócios)
Custo de obra: 7.000.000,00 euros
Data: 2006-2007
Texto: Pedro Belo Ravara, Baixa Atelier
Fotografia: FG + SG - Fotografia de Arquitectura / www.ultimasreportagens.com


O Pavilhão Atlântico oferece dois espaços primários para a realização de actividades diversas, com grande flexibilidade de adaptação e de recepção de novas estruturas. Esta possibilidade de se conformar como contentor de estruturas independentes do invólucro pré-existente sugere-nos a construção de "uma casa dentro de uma casa."
A "casa" da Presidência Portuguesa para a União Europeia teve lugar dentro da Sala Tejo. As estruturas que aí foram construídas assumem-se como volumes claramente definidos dentro de um espaço amplo que, através da sua relação e modo de agregação, estabelecem diferentes níveis de acesso, circulação e estadia. Circunscrevem espaços fechados destinados a actividades específicas, acústica e visualmente encerrados, isolados de quaisquer perturbações exteriores. É esse o caso das grandes salas de reuniões técnicas e ministeriais, mas também da sala de conferências de imprensa da presidência, das salas de reuniões bilaterais, das salas de briefing ou alguns dos gabinetes e salas de reunião a elas associados, que integram igualmente as Instalações Permanentes.
Desta forma, reconheceu-se a condição de estar dentro e fora, correspondendo o fora a um espaço genérico de estar, em contínuo com o exterior do pavilhão. De facto, o invólucro definido pela edifício do Pavilhão Atlântico torna-se etéreo e funcional. Deixou de representar o limite entre exterior e interior para se constituir apenas e só como limite do ponto de vista do controlo ambiental. Esta ambivalência entre espaços fluidos e contínuos e espaços encerrados, claramente delimitados, remete para a possibilidade da integração espacial de condicionalismos e de áreas de trabalho diferentes, sem descurar todas as suas características funcionais e representativas. Local, regional, continental ou internacional, limite e infinito, concreto e abstracto são noções ambivalentes, passíveis de serem integradas através de um dispositivo de hibridação, neste caso de uma arquitectura que propõe a miscigenação de modelos espaciais.
(...)

wuda*

Edifício "Tridom Puzzle", Munique

Arquitectura: WUDA* Inês Dantas, Florian Wurfbaum
Colaboradores: Moritz Meyer- Sternberg, Mathias Krupna, Julia Lindner, Daniel Giordano, Katharina Rüter, Ulrike Schubert
Estruturas: A.K.A Ingenieure
Instalações e Equipamentos: Ingenieurbüro Többen
Térmica e Energética: Bauphysik@integrierte Planung- Berlin
Segurança: OSS / Osterrieder, Sobotta, Schmidbauer, Penzberg
Fotografia: Henning Köpke; Peter Neusser

 

Depois de 100 anos de existência o número 2 da Hoerwarthstrasse cresce em mais dois andares.
O projecto consiste para além da reabilitação de um edificio existente datado de cerca de 1904 (e cuja traça foi adulterada em intervenções posteriores) na sua extensão em altura com dois novos pisos, criando três fogos. A ideia consistiu em que cada um destes fogos se desenvolvesse pelos dois novos pisos criando três "mini-casas" em cima do edifício pré-existente.
Pretendia-se não criar uma tipologia repetitiva mas sim três soluções distintas onde cada um dos fogos se adaptasse de forma diferente ao espaco disponível. Estas "mini-casas" envolvem-se e encaixam-se mutuamente, criando diversidade nas situações espaciais, permitindo a entrada de luz zenital e minimizando espaços sobrantes. Dois fogos aproveitam a mesma caixa de escadas (como Chambord) e desenvolvem-se, transversalmente, no 4º piso e, longitudinalmente, no 5º. O outro fogo desenvolve-se em L tridimensionalmente e a parte social encontra-se no 5º piso, aproveitando o movimento longitudinal entre dois espaços exteriores. A sul, a nova fachada apresenta três momentos: uma superficie vidrada recuada, um espaço exterior e uma pele de sombreamento "soft" e corrível, têxtil, sugerindo um "prédio de cabelos ao vento"*.
O projecto levanta questões de sustentabilidade urbana através da densificação do existente que proporciona, esperando-se um efeito em cadeia à escala do bairro de Schwabing.
*música Funny v. Dannen

dass

"treehouse hotel", Experimentadesign 09, Jardim da Estrela, Lisboa

Energias Renováveis: GoSolar
Patrocínio construção: Granturismo-Silves
Patrocínio marketing: Greenfest
Engenharia: Land2build
Material: Madeiras Importadas
Construção: MadMax-Madeiramentos
Bióloga: Prof. Dra. Otília Correia

 
As estatísticas são claras, metade das 6,5 biliões de pessoas que povoam o nosso planeta vivem em cidades e o crescimento da população urbana está a crescer 1 milhão por semana. Como é possível construir uma cidade de um milhão de habitantes por semana? O Treehouse Hotel questiona os processos universais de criação da cidade e da arquitectura no presente e expõe estas questões perante valores universais da vida humana: felicidade, tolerância, sustentabilidade, obrigando os seus visitantes a reflectirem, livre de constrangimentos (sociais, económicos ou políticos), sobre a evolução da vida urbana para um ambiente natural e ecológico. O Treehouse Hotel é um projecto experimental de arquitectura e design que aborda temas essenciais para o futuro da nossa sociedade. O tema da cidade sustentável tornou-se tão importante que está presente em todas as disciplinas que intervêm no processo de urbanização (arquitectos; designers; urbanistas; teóricos; sociólogos; paisagistas, biólogos...). Uma cidade sustentável procura desde o início uma leitura da pegada ecológica da cidade, no presente e para o futuro, com o objectivo de esta se tornar neutra em todos os pontos: energia, emissões de carbono, comida, tradição, emprego, habitação, movimento, desperdícios, diversidade, natureza... Este Micro Hotel, construído em madeira, é móvel e já fez parte da Bienal Experimenta Design 09, verificando um enorme sucesso aquando da sua estadia no Jardim da Estrela. A construção em Madeira evoca o imaginário de uma casa na árvore e todo o universo fantástico a ela associada. Uma casa na árvore é um lugar mágico, um esconderijo romântico dentro da natureza. São micro espaços colocados entre as árvores para brincar, trabalhar, relaxar ou sonhar! Onde nos podemos deparar com memórias, novas reflexões e onde, através da nossa imaginação, nos podemos colocar como observadores, exteriores ao mundo em que vivemos, para assim conseguirmos ser críticos e chegar a novos níveis de descoberta e outras plataformas de entendimento. A inspiração para a construção deste Micro Hotel não é a arquitectura, mas a própria natureza. (...)

raumlaborberlim

Intervenção urbana "Spacebuster", Storefront for Art and Architecture, Nova Iorque

Produção: Storefront for Art and Architecture
Equipa raumlaborberlin: Markus Bader, Benjamin Foerster- Baldenius, Andrea Hofmann, Christof Mayer, Matthias Rick, Axel Timm, Manfred Eccli, Christoph Franz, Berk Asal, Katja Szymczak
Equipa Storefront for Art and Architecture: Joseph Grima, César Augusto Cotta
Patrocinadores: Goethe Institute New York, Department of Transportation - Urban Arts Initiative
Parceiros: Clemente Soto Vélez Cultural Center, Studio-X/Columbia GSAPP, Meanred Productions, Meatpacking District Initiative, Dumbo Improvement District, MARP LDC / Myrtle Ave Brooklyn BID, ForYourArt
Fotografia: Berk Asal; Alan Tansey


O Spacebuster foi desenvolvido e projectado com o objectivo de explorar o espaço público de Nova Iorque. Como ferramenta de investigação actua como um transformador do espaço arquitectónico e social, ou seja, espaço urbano. O Spacebuster foi construído com base numa carrinha e num grande espaço insuflável que sai da parte de trás da carrinha e onde cabem cerca de 80 pessoas. As pessoas entram na bolha pela porta de passageiros e caminham em direcção às traseiras, descendo uma rampa para chegar ao espaço insuflado. A bolha é mantida por pressão de ar gerada por uma ventoinha por debaixo da rampa. A membrana da bolha é translúcida de modo a que as pessoas possam ver, esquematicamente, o que se passa no exterior e viceversa. Assim, a membrana actua como uma fronteira semi-permeável entre o público e o mais privado. Desta forma, o ambiente circundante torna-se a cortina de fundo da situação, tal como visionado a partir do interior, e o Spacebuster transforma-se num palco em termos de peça teatral pública.Na membrana vêem-se projecções, do exterior e do interior. O espaço pode ser mobilado com secretárias, cadeiras, mesas de refeição, em diferentes esquemas de organização, dependendo do programa. Dado que a estrutura flexível da bolha se pode adaptar ao que a rodeia, é possível confiná-la a um espaço debaixo de uma ponte, colocá-la à volta a uma árvore, ou moldá-la em forma de uma vedação ou, ainda, como perfil de uma fachada. (...)

Recetas Urbanas

Casa Quebra-cabeças, Sevilha

Arquitectura: Recetas Urbanas, Santiago Cirugeda
Sujeito: Arquitecto sem promotor
Assessor jurídico: Ignacio Pretel
Colaboradores: Sebastián de Alba (proprietário) e sua equipa, Paula
Tipo de construção: Casa desmontável sem fundações
Materiais: estrutura de aço, cobertura de alumínio-poliutireno, andaime, carpintaria alumínio, armários em chapa de aço galvanizado, muro público reciclado
Superfície: Lote 25,5m2; Piso 1,12m2; Ponte 1,8m2; Piso 2 7,2m2
Data: 2002-2003


Unidade de execução
Um arquitecto sem promotor instala para-arquitectura ocupando um lote privado na Rua Barco nº9, com a finalidade de exemplificar situações de ocupação temporal de lotes em desuso, mediante contrato de arrendamento com o proprietário, que permite garantir a utilização do seu terreno durante um tempo mínimo de quatro meses extensível a um máximo de um ano, para a instalação de uma casa-estúdio desmontável. Um acordo para a instalação eléctrica fechado com um particular, próximo do lote, e umas cápsulas sanitárias portáteis de funcionamento químico, que funcionariam com a recolha da água das chuvas através da cobertura, ajudariam a tornar mais cómoda e habitável esta moradia. Inclui 200m de cabo eléctrico de secção nominal de 2,5mm recoberto a mangueira butílica, que percorria a Rua Joaquín Costa, passava pela Rua Barco e chegava ao lote situado no número 9 da mesma, terminando na caixa de controlo e protecção eléctrica que fornecia a casa-móvel, que se encheu de alegria graças à Paula e amigos e foi apresentada, de maneira fraudulenta, por arquitectos colaboradores do Concurso Nacional de Arquitectura FAD.

Antecedentes: Exposição itinerante
Os responsáveis de exposições do Colégio de Arquitectos de Cádiz encarregaram o jovem arquitecto da montagem de uma exposição de projectos habitacionais na Andaluzia. A ideia consistia em apresentar os planos e desenhos em bandeirolas penduradas nas árvores, em frente à sede do Colégio. No entanto, o arquitecto queria experimentar com um tipo de habitação portátil e, ignorando a proposta inicial, desenhou um módulo expositivo pensando no seu futuro reaproveitamento. Uma vez terminada a exposição na "Plaza de la Mina" em Cádiz e a sua itinerância por outras povoações gaditanas, o arquitecto recuperou as peças para montá-las desta vez como Casa Quebra-cabeças, sem nenhum tipo de ajuda institucional.
(...)

Adriano Carnevale Domingues

Abrigo / Manifesto, São Paulo

Arquitectura: Adriano Carnevale Domingues
Texto: Adriano Carnevale Domingues
Fotografia: Adriano Carnevale Domingues

Abrigo / Manifesto: Uma acção de re-HUrbManismo

Sai da tua infância, amigo, desperta!
Jean-Jacques Rousseau

A justiça social não é um princípio de massa, mas sim, de indivíduos. Mesmo que a massa se satisfaça com seu estado, há sempre um indivíduo que sofre. Poderia haver justiça humana nisso? Se respondermos que sim, justificaríamos a opressão... Para construir uma sociedade justa é preciso que essas pessoas exiladas, recebam primeiramente justiça. Chama a esta pessoa, o habitante. Chama a esta pessoa de você, você mesmo.
Lebbeus Woods, "Anarquitetura: A arquitetura é uma ação política."

Século XXI, os automóveis ainda continuam sobre a terra, o tempo ultrapassa a sua relação com o espaço, transformando a imagin(ação) em virtualidade. A pobreza aumenta e a grande maioria vive mal, dos ricos aos pobres, das casas às cidades; nós arquitectos estaremos fadados, ao total desprezo e mau entendimento por parte de quem nos contrata, enquanto ficarmos pensando na massa como constituição social, incentivando à cópia, à inutilidade, à repetição de estilos globais e fotogênicos, esquivando-nos das resoluções e questionamentos pontuais.
"Estamos presenciando um Classicismo de segunda patrocinado por pessoas que enriqueceram no mundo moderno mas fingem viverem como "lordes" em uma sociedade feudal", disse Peter Davey editor da revista The Architectural Review.
Estamos deixando apagar os rastros deixados pelos grandes arquitectos, devemos abrir as portas de nossas reuniões profissionais, devemos pôr nas ruas as nossas percepções, para que a sociedade civil entenda e veja pelos nossos olhos.
Talvez a arquitectura não seja realmente importante, como diz o Arq. Oscar Niemeyer, e que o importante é mudar este mundo injusto; mas utilizaremos então a arquitectura como uma de nossas ferramentas , já que está na acção, intenção e invenção a diferença que nos qualifica.
Moraríamos nas cidades, não como quem ocupa casulos com vista para o céu e ignora o chão sujo. O espaço público está como o resto das nossas construções, não respirando sem elas.
O triste é que o espaço comum só adquire valor se consumido pelo privado. (...)

Arne Quinze

Escultura "Uchronia", Burning Man Festival, Deserto Black Rock, Nevada

Autor: Arne Quinze
Data: 2006
Texto: Studio Arne Quinze
Fotografia: © Studio Arne Quinze


UCHRONIA é uma mensagem do e para o futuro, capturada numa enorme escultura. Escondem-se narrativas em cada recanto e fenda, à espera de serem desvendadas por quem faz o esforço de as tentar entender. UCHRONIA representa um reino sem fronteiras que captura todas as emoções humanas, incluindo o medo. As suas raízes estão no aqui e agora: o esqueleto deste organismo é feito de barrotes de madeira. Uma Utopia escultural que simboliza a raça humana, cada trave representando um indivíduo. UCHRONIA foi um projecto conjunto com Jaga que foi construído e incendiado no Festival Burning Man, de 2006, no Deserto de Black Rock, no Nevada, E.U.A.

MOOV + Atelier Data

«Forwarding Dallas», Dallas

Autores: MOOV + Atelier Data
Desenvolvimento e Coordenação: António Louro (MOOV), Filipe Vogt (Atelier Data), Marta Frazão (Atelier Data)
Equipa: André Almeida (Atelier Data), Carolina Pombo (Atelier Data), Inês Vicente (Atelier Data), José Niza (MOOV), João Calhau (MOOV)
Cliente: Urban Re:vision
Arquitectura paisagista: Susana Rodrigues
Estrutura: Nuno Silva
Eficiência Energética e recursos: Maria João Rodrigues, João Parente
Texto: João Rato
Dimensão: 40.000 m²
Data: 2009
Programa: Quarteirão urbano com habitação e comércio
Concurso Internacional de Ideias: Re:Vision Dallas - 1º prémio
Website: www.revision-dallas.com

E se um quarterão no Texas se tornasse num modelo sustentável para o mundo?
Desde sempre a natureza tem funcionado, o que nos desafia agora é encontrar a maneira que a faça funcionar para sempre. A inteligência tem-nos levado a um ponto em que temos ao nosso alcance uma variedade de soluções técnicas capazes de nos privar ou de nos providenciar condições de vida confortáveis e culturalmente enriquecedoras. É da forma como organizarmos estes dispositivos que irá fazer toda a diferença. Neste projecto pretende-se reconhecer como funcionam os ciclos naturais e reproduzi-los; como uma ampla estratégia, como uma maneira de organizar o espaço e como um modelo para soluções técnicas que estão integradas.
Como paradigma escolhemos a montanha, um dos sistemas mais versáteis da natureza. Perante este complexo programa uma única e ampla abordagem não conseguiria responder a todas as necessidades, por isso o espaço está organizado em vales, encostas e picos, de modo a maximizar o aproveitamento solar, as vistas e as superfícies de produção.
O objectivo final deste projecto não é o de construir uma estrutura física mas de criar os meios para que uma comunidade possa habitar nele. Não ter em conta as pessoas que aqui morarão é ver só metade da equação. Este projecto tenciona modernizar Dallas, assim como promovê-la ao mundo como paradigma de uma solução para outras cidades que enfrentam os mesmos problemas. Todos os projectos sustentáveis devem ser um compromisso entre o que recebemos e o que entregamos aos outros, assim que, em diversos sentidos estamos a Forwarding Dallas.