


Arquitectura: Ma Yansong, Dang Qun
Equipa: Dai Pu, Yu Kui, Stefanie Helga Paul, He Wei, Shen Jianghai
Programa: Renovação de patio Courtyard Renovation
Engenharia: Beijing Nade Environmental Art Design Co., Ltd.
Custo: 400,000RMB
Data: 2009
Fotografia: ShuHe e Fang Zhenning
A proposta da MAD para a futura Pequim 2050 foi revelada, pela primeira vez, na sua exposição MAD IN CHINA, em Veneza, durante a Bienal de Arquitectura de Veneza de 2006. A Pequim 2050 imaginou três cenários para o futuro de Pequim: um parque público verde na Praça de Tiananmen, uma série de ilhas flutuantes por cima do CBD da cidade, e o "Futuro dos Hutongs", que exibe bolhas metálicas dispersas pelos bairros mais antigos de Pequim. Três anos mais tarde, apareceu a primeira bolha hutong num pequeno pátio em Pequim. O desenvolvimento acelerado da China alterou a paisagem da cidade numa escala massiva, erodindo continuamente o delicado tecido urbano da velha Pequim. Mudanças tão dramáticas forçaram uma arquitectura envelhecida a ter que depender de renovações espontâneas e caóticas para o bairro em constante mudança conseguir sobreviver. Para além disto, os fracos padrões de higiene transformaram espaços únicos de habitação e comunidades potencialmente prósperas num sério problema urbano. Os Hutongs estão, gradualmente, a tornar-se na lixeira local dos habitantes, no refúgio para os ricos, no parque temático para turistas. A contínua degradação do tecido urbano da cidade requer uma mudança nas condições de vida dos residentes. O progresso não exige, necessariamente, construção em larga escala - pode ocorrer através de intervenções em pequena escala. As bolhas hutong, inseridas no tecido urbano, funcionam como ímanes que atraem novas pessoas e recursos, para reactivarem bairros inteiros. Existem em simbiose com as habitações antigas. As bolhas, alimentadas pela energia que ajudaram a renovar, multiplicam-se e moldam-se indo ao encontro de necessidades várias da comunidade, permitindo, desta forma, que os residentes locais continuem a habitar estes bairros antigos. A seu tempo, estas intervenções tornar-se-ão parte da longa história de Pequim, membranas recém-formadas dentro do tecido urbano da cidade. Inesperadamente, emergiu num dos hutongs de Pequim uma manifestação desta visão idealista, apenas três anos após a exposição. A Bolha Hutong 32 dispõe de instalações sanitárias e de uma escada que se prolonga até uma cobertura com terraço de uma renovada casa pátio. O seu exterior brilhante faz com que pareça uma criatura alienígena e, no entanto, ao mesmo tempo, reflecte a madeira, tijolo e vegetação circundantes. Desta forma, o passado e o futuro podem coexistir num mundo finito que é, contudo, também de sonho. Todavia, o verdadeiro sonho é que a bolha hutong ligue esta cidade culturalmente rica a cada visão individual de uma melhor Pequim. Não se encara a bolha como um objecto singular, mas como um meio de iniciar uma comunidade renovada e energética. Na sombra de um desenvolvimento rápido, é necessário ter em mente os objectivos a longo prazo da cidade e a orientação da sua criatividade. Talvez devêssemos fugir à tentação de novos monumentos e focarmo-nos na vida quotidiana dos habitantes.