


Arquitectura: Atelier15 - Alexandre Alves Costa, Sérgio Fernandez e Luís Urbano.
Colaboração: Ana Alves Costa, Ana Mesquita, Eduardo Ribeiro, Ivo Oliveira e Miguel Ribeiro.
Assessoria Museológica: Pedro Redol
Fundações e Estruturas: Poliedro, Projectos de Engenharia, SA; Vítor Abrantes, Consultoria e Projectos de Engenharia, Lda
Instalações e Equipamentos: Gatengel, Projectos de Engenharia, Lda (Eléctricos); Rodrigues Gomes e Associados, Lda (Mecânicos); Vítor Abrantes, Consultoria e Projectos de Engenharia, Lda (Águas e Esgotos)
Paisagismo: arqtOF, Arquitectura Paisagística
Datas: 2002 - 2008
Texto: Atelier15
Fotografia: Luís Ferreira Alves; FG+SG - Fotografia de Arquitectura / www.ultimasreportagens.com
1. A ruína
As questões mais importantes que se levantaram neste trabalho, aquelas em que as definições rigorosas só se puderam elaborar a partir de um diálogo estreito e nem sempre fácil, com os técnicos do IPPAR, foram as que se prenderam com a musealização da Igreja e das ruínas, critérios para o seu usufruto público, conservação e restauro dos elementos descobertos e a descoberto. Tentámos libertar o espaço da Igreja de todos os elementos espúrios que prejudicavam a leitura do seu espaço e, ainda, tornar mais confortável o pavimento nas áreas em que se encontrava perdida a sua integridade. Importante, é mesmo a dimensão dos devaneios, formas de inscrição através da escrita deambulatória, labiríntica, em deriva: calcorrear, cartografar, como se numa terra por vir. Nós todos, afinal, deveremos ser os autores insubstituíveis de Santa Clara.
2. A criação do lugar para ver
O edifício do museu funciona como uma espécie de remate sul da área da cerca. Implanta-se paralelamente à Igreja de Santa Clara, ocupando, na sua quase totalidade, a largura do terreno. O edifício não deverá competir nem "aproximar-se" do monumento, pelo que terá um carácter fortemente abstracto e unitário, anulando-se na transparência da sua fachada norte, ou transformando-se numa espécie de espelho da própria cena que observa. Daí abrir-se totalmente a uma vasta panorâmica: de Santa Clara-a-Nova até à colina da Alta de Coimbra, passando pela zona monumental. Quem o olhar do lado da Igreja deverá sentir a existência de um fundo constituído por um rectângulo de vidro, mais do que por um paralelepípedo aberto. Em contraponto com este alçado, o alçado sul, será quase completamente encerrado, admitindo alguma complexidade volumétrica. Deverá encerrar visualmente o terreno, impedindo que qualquer visitante possa usufruir daquilo que o espera, antes de efectuar o caminho de acesso. Percorrendo uma rampa e entrando no espaço da recepção será surpreendido pela visão de todo o espaço tratado, com a igreja e as ruínas do claustro ao fundo, implantadas a uma cota bem inferior à do espelho de água, em primeiro plano.