Uma reflexão
Habitar a Frente
Ribeirinha
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por
Pedro Ressano Garcia
A regeneração da frente ribeirinha
subentende uma teoria de necessidades, o proporcionar
novos espaços públicos a esta fracção
de cidade transpondo barreiras de circulação
existentes entre cidade e porto, como uma continuação
organizada da cidade ao encontro do rio. O habitar
manifesta-se nas muitas escalas do objecto construído,
da abordagem a uma casa, aos mais complexos, como
a cidade, o espaço colectivo em que partilhamos
hábitos e coabitamos com a diferença,
na medida em que o espaço público
é, por natureza, o espaço do outro.
A resposta não está no criar acrescentos
ribeirinhos, mas na continuação e
integração das soluções
na cidade existente, criando diferentes ambientes
que, a diferentes níveis, sugiram o encontro
humano e diluam o impacto que as vias de circulação
têm nesta frente da cidade. Os conceitos apresentados
reconfiguram o território e idealizam um
crescimento integrado, não independente,
até ao rio, por via
da extensão do jardim 9 de Abril à
Doca de Alcântara e de Santos ao Tejo. Plataforma
Tejo é uma nova morfologia urbana que visiona
uma cobertura ajardinada a ligar a parte alta da
cidade, jardim 9 de Abril, e a zona portuária.
Garante à cidade espaço público
contemporâneo de frente para o rio, com possibilidade
de diferentes apropriações. Uma reconfiguração
sustentada do território, que contraria a
urbanização dos terrenos portuários,
potencia as oportunidades do lugar e se constrói
sobre os dois obstáculos ao Tejo: o caminho-de-ferro
e a Avenida 24 de Julho. Esta proposta de edifício
passagem propiciaria uma nova centralidade em Lisboa,
funcionando como porta da cidade histórica,
um espaço nobre de recepção
ao terminal de Cruzeiros de Turismo da Rocha de
Conde de Óbidos e, como uma espécie
de pólo museológico, conciliando as
várias instituições e equipamentos
locais: o Museu Nacional de Arte Antiga (solucionando
os problemas de acessibilidades), a sede da Cruz
Vermelha, a Gare Marítima da Rocha de Conde
de Óbidos e o futuro Museu do Oriente , permitindo,
desta forma, uma revitalização coerente
do lugar.
(...)
Pedro Ressano Garcia é arquitecto e,
há dez anos, dedica-se a estudar a reconfiguração
das cidades portuárias, tema da sua tese
de mestrado e de doutoramento. No seu atelier, em
Lisboa, procura combinar teoria e prática
em projectos de arquitectura e desenho urbano, participando
também em concursos nacionais e internacionais.
Iniciou-se como docente na Universidade de Berkeley,
na Califórnia, e, actualmente, na Universidade
Lusófona. Foi bolseiro da Fundação
Calouste Gulbenkian e da Fundação
para a Ciência e Tecnologia. Publica regularmente
em livros, revistas e seminários; é
professor convidado e conferencista em universidades
portuguesas e em workshops internacionais.
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