Para
uma nova relação entre as coisas e as
pessoas
Daniela Pais |
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por Bárbara Coutinho |
barbaracoutinho@netcabo.pt
Perante as sucessivas catástrofes
humanitárias, o aquecimento global ou a poluição
atmosférica, a explosão demográfica
e o aumento da população no limiar
da sobrevivência, é urgente redesenhar
o modo como habitamos o planeta. Durante os últimos
anos, temos vindo a assistir a inúmeros projectos
que actuam em nome do colectivo e à escala
global, demonstrando a capacidade do design ser
um agente transformador do mundo e de contribuir
para um futuro mais sustentável, igualitário
e justo. Em lugar de continuar a projectar e produzir
um sem número de objectos que apelam ao consumo
imediato pela sua singularidade, inovação,
qualidade formal ou tecnológica, mas que
acabam por ficar rapidamente ultrapassados, tornando-se
descartáveis, implementa-se um design humanitário.
Um design que anuncia uma nova perspectiva sobre
a cultura material, que contribui para a resolução
das necessidades essências do ser humano e
que parte das ideias de simplicidade, eficiência,
necessidade, funcionalidade e respeito ambiental.
Um design que apela a uma alteração
das mentalidades e a uma intervenção
cívica mais activa que passa pela adopção
de pequenos gestos que podem diminuir as disparidades
sociais existentes. Estamos perante uma acção
ética e socialmente responsável que
traduz uma preocupação com a sustentabilidade
económica/ambiental e uma atenção
particular com a grande maioria da população
que não tem acesso aos produtos e serviços
básicos, que é excluída do
sistema produtivo1. Dai falar-se de um design para
a maioria, de um design comprometido socialmente,
que não procura criar mais consumidores,
antes pretende contribuir para utilizadores mais
críticos e conscientes do planeta como um
todo, como uma morada comum. Recordemos que, já
em 1971, Victor Papanek havia publicado Design for
the Real World. Human ecology and social change
e defendido que o «design doit devenir un
outil novateur, hautement créateur et pluri-disciplinaire,
adapté aux vrais besoins des hommes. Il doit
s’orienter devantage vers la recherche, et
nous devons cesser de profaner la Terra avec des
objets et des structures mal conçues»2.
Esta atitude leva o design a procurar soluções
integradas para um habitat mais sustentável,
gerando um impacto ambiental e social positivo.
São ideias e projectos que têm os olhos
postos no futuro.
(...)
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