O Habitar colectivo
e a lógica do outro |
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por
Baptista-Bastos | b.bastos@netcabo.com
Os gregos ensinaram que o homem é uma criatura
gregária. Freud acrescentou: gregária
e, simultaneamente, individualista. Heidegger: «um
ser de lonjuras.» É nesta unidade contraditória
que reside a grandeza da nossa condição.
«Viver com os outros» é o título
de um belíssimo romance de Isabel da Nóbrega
e, também, a síntese civilizacional do
que desejamos. Construindo para si próprio e
para os outros, o homem é, amiúde, instigado
a construir contra os outros. Le Corbusier elaborou
um projecto de modernidade que se adequasse aos prolegómenos
do pensamento grego e das teses freudianas.
É um marco importante na arquitectura e nos conceitos
progressistas. A ideia de que a arquitectura tem como
destinatária a sociedade do homem, nas suas relações
com o mundo, com a cultura e com o conhecimento mais
aberto, é um empreendimento intelectual que envolve
as artes, as literaturas - e, até, o jornalismo.
O habitar colectivo é o penetrar num outro espaço
lógico, que possui uma ética rigorosa
e uma estética essencial. A razão construída
como razão comum. Vítor Figueiredo, Nuno
Teotónio Pereira, Nuno Portas e Raul Hestnes
Ferreira pertencem, de um ou de outro modo, com as singularidades
e as idiossincrasias próprias, a esse projecto
abrangente.
Essa responsabilidade exige um esforço de compreensão
dos contextos das sociedades humanas em que o projecto
vai ser aplicado. Evidentemente, há uma raiz
ideológica e uma específica substância
política num projecto desta natureza. Cada arquitecto
deve proceder a um exame minucioso das suas próprias
razões. Eis porque a ética é absolutamente
inseparável da estética: mostra os limites
da razão individual e as ambições
da razão colectiva.
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