#57

DOMINGOS TAVARES
FRANCISCO FARINHAS
DAFNE EDITORA, 2008

por Mário Chaves | mario.chaves@qualitas.pt



Há uma intrínseca qualidade de conforto nestas moradias do centro de Portugal onde
o “Diamantino” exercia a sua capacidade de satisfazer os clientes de uma classe média inerente do progresso industrial do início do século e de profissões liberais que procuravam na proximidade do mar uma moradia que satisfazia o ecletismo do novo nível cultural, mas sem pretensões a um recurso ao Academismo ou ao Português Suave que grassava nos meios urbanos. Porque afinal estas casas ainda residem num apego à terra que se prolongará até aos anos 70. “Diamantino” soube cativar e fazer escola nestas moradias que satisfaziam plenamente o gosto popular mas que remetiam particularmente para exigências do modernismo mais liberal ou periférico das linguagens fundamentalistas impostas pelo betão e poupança da construção. E estas expressões de conjugação dos materiais, decorativismos e sintaxes, resultam numa sedutora formalização que resistiu ao desgaste de uma ideia de kitch com que tão facilmente se rotula a construção popular. Veja-se a capa onde uma construção congrega tão variado numero de elementos.
A cobertura de quatro águas que os arquitectos actuais por não saberem fazer, aniquilaram, a variedade de elementos modernistas que se apostam, a escada lançada ao visitante, o gradeamento da janela bordada em ferro, impossível agora de executar. É de facto uma construção qualificada, exemplar na sedução do público e capaz de ter resistido no tempo.
(...)
Maio 2008