DOMINGOS
TAVARES
FRANCISCO FARINHAS
DAFNE EDITORA, 2008 |
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por
Mário Chaves | mario.chaves@qualitas.pt
Há uma intrínseca qualidade de conforto
nestas moradias do centro de Portugal onde
o “Diamantino” exercia a sua capacidade
de satisfazer os clientes de uma classe média
inerente do progresso industrial do início do
século e de profissões liberais que procuravam
na proximidade do mar uma moradia que satisfazia o ecletismo
do novo nível cultural, mas sem pretensões
a um recurso ao Academismo ou ao Português Suave
que grassava nos meios urbanos. Porque afinal estas
casas ainda residem num apego à terra que se
prolongará até aos anos 70. “Diamantino”
soube cativar e fazer escola nestas moradias que satisfaziam
plenamente o gosto popular mas que remetiam particularmente
para exigências do modernismo mais liberal ou
periférico das linguagens fundamentalistas impostas
pelo betão e poupança da construção.
E estas expressões de conjugação
dos materiais, decorativismos e sintaxes, resultam numa
sedutora formalização que resistiu ao
desgaste de uma ideia de kitch com que tão facilmente
se rotula a construção popular. Veja-se
a capa onde uma construção congrega tão
variado numero de elementos.
A cobertura de quatro águas que os arquitectos
actuais por não saberem fazer, aniquilaram, a
variedade de elementos modernistas que se apostam, a
escada lançada ao visitante, o gradeamento da
janela bordada em ferro, impossível agora de
executar. É de facto uma construção
qualificada, exemplar na sedução do público
e capaz de ter resistido no tempo.
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