#57
Pequenas partículas aguardam um futuro incerto
Irmãos Bouroullec
por Carla Carbone

Mas o mundo, dir-nos-ia Charles Jencks, em 1996, foi unido irreversivelmente pelas tecnologias, e pela informação, vinte e quatro sob vinte e quatro horas.
Mas resta saber, a informação é hoje encarada de forma menos apaixonada.
Por isso mais criticada a sua verdade e mais vezes decomposta.
São muitos os que se tornaram cépticos em relação a ela e aos fundamentos e bases em que ela se vê sustentada, por tudo aquilo que se vê manipulado, e pelos resultados observados no (estado) do mundo em que vivemos. Cai em descrédito, de dia para dia.
Na realidade, esta abundância de suportes (canais) por onde a informação circula, e da saturação dos meios de comunicação, e o nosso acesso a ela, não garante a qualidade e honestidade da própria informação, e em muito não significa que as pessoas actualmente sejam mais informadas do que o eram antes, quando exitiam muito menos meios.
Mas esse tema daria pano para mangas e motivos para um debate, que em muito mereceria tempo, para se dedicar a ela e reflectir, com serenidade e seriedade. E, em muitos aspectos, resultaria, por um lado, numa reflexão sobre o estado da informação e o seu desenvolvimento global e, por outro, envolveria, em parte, uma possível especulação,
à mistura, que também se lhes afigura propria. Dado o “poder” dos orgãos de informação nos nossos dias, e seus agentes, que Serge Halimi apelidou de “os novos cães de guarda”. Os jornalistas, eles próprios, já manietados, ao que Halimi refere no texto, como dispondo de pouco mais poder (sobre a informação) do que “uma caixeira de supermercado sobre a estratégia comercial do seu empregador”.

(...)
Maio 2008