Arlindo Silva
Habitar a Pintura |
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por
Sandra Vieira Jürgens | sandravieirajurgens@gmail.com
diálogo
Arlindo Silva (Figueira da Foz, 1974) dedica-se a
pintar momentos que capta com naturalidade e autenticidade
com a sua máquina fotográfica. São
instantes congelados, que advêm pintura, que
passam pelo filtro da sua memória e constituem
retratos surpreendentes do seu círculo de amigos.
Nesta entrevista falámos sobre os processos
de produção da sua mais recente exposição,
“A Espuma dos Dias”, das características
da sua obra e, fundamentalmente, de pintura.
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Ana Vieira
Uma casa para todos |
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por
David Santos | davidsantos@gmail.com
obra Entre a primeira versão
de Ocultação-Desocultação,
instalação realizada no espaço
da Galeria Quadrum, em 1978, no contexto de uma
programação experimental e atenta
à arte de vanguarda conduzida por Dulce D’Agro,
e a segunda, apresentada na sobriedade Deco da Casa
de Serralves, no Porto, em Dezembro de 1998, passaram
uns longos vinte anos em que Ana Vieira não
deixou de reafirmar, ainda que com discrição,
um dos seus mais decisivos apelos criativos: habitar
e partilhar um espaço de sensibilidade poética
individual. Esse trabalho reificado duas décadas
após a sua versão original repercutia
ainda essa dialéctica sobre a translúcida
afirmação do feminino na arte portuguesa,
entre a opacidade e transparência, os sentimentos
e a racionalidade de uma época que exigia
cada vez mais
o reconhecimento da mulher também no domínio
da manifestação artística.
Pensar em 2008, trinta anos volvidos desde a primeira
apresentação de um trabalho com características
de comunicação tão particulares,
marcado pela linguagem conceptual e o desejo de
comunhão imagética, poderá
constituir ainda uma espécie de mnemónica
afectiva, dado que Ocultação-Desocultação
mantém activo o princípio de um convite
essencial: sonhar e construir, não com tijolos
e cimento mas apenas com a imaginação,
a experiência de habitar uma casa que é
simultaneamente de Ana Vieira e de todos aqueles
que aceitarem o desafio dessa experiência
artística.
Com efeito, não era uma casa de sonho, mas
o sonho de uma casa, o que Ana Vieira nos propunha
em 1998 na majestosa modernidade de Serralves. Sitiada
pela dimensão onírica dessa obra,
a própria casa de Serralves se viu então
transfigurada na sua consciência de espaço
e de lugar. Os segredos e as cumplicidades cruzaram
os “ambientes” numa espécie de
“espacialização” da memória,
mais transitória ou inconstante. Nesse sentido,
e assumida como retrospectiva de uma obra essencial
da segunda metade deste século português,
essa mostra não poderia ter sido realizada
noutro lugar. De facto, as analogias são
imediatas e inequívocas. A lógica
da ocupação faz-se com a tranquilidade
afectiva e ilusória de quem desejou sempre
esse lugar eleito.
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