JOSEP MARIA MONTANER,
MUSEUS PARA O SÉCULO XXI, GG, BARCELONA, 2006
|
 |
O Museu resta como a Torre de Babel do conhecimento físico e do esplendor da beleza que
a sociedade linear e determinista soube construir
e alimentar monstruosamente de objectos considerados belos e raros, qual supermercado infinito de produções humanas que de melhor as sociedades vão guardando nas memórias das suas épocas e das suas realizações. Os Museus são
a antítese do Retrato de Dorian Gray; aqui
a sociedade envelhece na sua decadência física
e os museus permanecem jovem e belos.
Os Museus para o Século XXI revelam a ansiedade perante a sociedade mutante, onde a presença perante os objectos belos e raros, vai sendo difícil de sustentar e legitimar. Ou, por outro lado, a virtualidade pode também transpor os limites do tempo e permanecer como referências essenciais?
O Museu, também na visão de Montaner, deve ser a síntese qualificada de uma época e de uma memória. Mas quando houver um “Google” da arte, fará sentido visitar os museus, onde não se toca e não se sente. Em si mesmo os museus são já virtuais, com peças tridimensionais e que justificam o turismo, esse ser que já não é viajante e cuja experiência da arte (para quase todos)
se limita às compras na loja do museu. Contudo, o museu enquanto objecto de arquitectura, é
e tem sido, a melhor preposição a que as cidades ambicionam depois do tempo das catedrais.
(...) |