Programas Híbridos
A herança do projecto arquitectónico moderno |
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A questão do programa em arquitectura tem estado na ordem do dia. Por definição, o programa apresenta um conjunto de princípios e directivas que devem orientar uma determinada tarefa. Mas, no âmbito da arquitectura, existem duas acepções divergentes deste conceito, com profundas repercussões disciplinares. Uma é metodológica e individual, outra é ideológica e colectiva.
Se a primeira, de carácter mais processual, se resolve na relação restrita entre arquitecto e cliente,
a segunda, subentendendo um projecto ou desígnio, necessita de uma forte interacção crítica entre
os arquitectos e a sociedade. Para percebermos o alcance teórico desta dicotomia temos que procurar a sua origem, com a emergência da modernidade arquitectónica. De facto, as grandes clivagens disciplinares da arquitectura contemporânea ainda se constituem tendo em conta uma avaliação
do estatuto da arquitectura moderna. E essas divisões disciplinares são resultado de leituras diferenciadas da posição da arquitectura moderna em relação à tradição disciplinar que a antecedeu, uma de continuidade, outra de ruptura. Por um lado, aqueles que valorizam os aspectos
de continuidade, entendem a arquitectura moderna como uma evolução natural das concepções tipológicas e espaciais, resultante das novas possibilidades técnicas. Para os adeptos desta interpretação, muito enraizada no meio teórico anglo-saxónico, a arquitectura moderna produziu, acima de tudo, obras singulares que responderam criativamente às solicitações do seu tempo.
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