#43
Marcel Wanders
O ilusionista
Imagine-se a visão de uma planta a crescer ao ritmo possível da nossa capacidade de a ver desenvolver-se.
Sob o poder de um ilusionista que a faz progredir, em cada ramo e folha verde, pequena, que se ergue e evolui até se tornar madura e vivente. E isto tudo presenciado em êxtase, e por entre manifestos de surpresa e exclamação. Da parte de um publico sempre incrédulo e algo expectante.
Observe-se verdadeiramente esta cena no filme “O Ilusionista”.
Pode transferir-se o mesmo empenho, a mesma vontade, a mesma intensidade e magia no processo, para Marcel Wanders e para a forma como conduz a sua oficina e os seus objectos de design.
Num repente, já que estamos numa lógica cinéfila, lembremo-nos por isso de uma cena do filme da realizadora Sofia Coppola: À mesma velocidade da flor de jasmim que cresce na chávena de chá de Maria Antonieta, em reacção à água que escalda a sair do bule. À volta uma riqueza decorativa e uma sensação de veludo, estonteante. Os vestidos, cujos tecidos, aparecem cobertos de flores bordadas serpenteantes e concentradas, libertam-se cores, brilhos e um mundo de matizes faz-se apresentar, revelar.
Os odores quase se adivinham e o tacto, assim como o paladar, dispensam apresentações.
Marcel Wanders parece um mágico. Um actor. Um ilusionista. E quase que é fácil, imagina-lo em laboratório, a gesticulação calculada, quase encenada, a fazer surgir formas (bizarras por vezes), como as Airborne Snotty, espécie de vasos para flores em cerâmica. Quase inimagináveis e de formas nunca antes vistas. Formas do futuro?

(...)
Carla Carbone
Março 2007