Para Além dos Programas Híbridos:
A Arquitectura do Código Aberto
|
 |
Num ensaio anterior explorei a ideia de que, num campo como o da arquitectura, a ideia de híbrido implica sempre uma certa ansiedade.
Tal ansiedade diz respeito ao receio de se perder a identidade, confundindo-se a prática da arquitectura com práticas que lhe são próximas. É o fantasma que surge da transformação iminente de uma dada cultura.
Procurava então explicar-se que, no entanto, esta ansiedade parte de pressupostos errados.
O próprio conceito de cultura implica uma troca permanente.
Neste contexto, os programas híbridos reflectem a necessidade da própria cultura da edificação se actualizar e adaptar às suas novas circunstâncias.
Porém, não é só através da programação que se dá a possibilidade de actualização da própria cultura arquitectónica. Prolongando a metáfora informática, é interessante ir um pouco mais atrás – ou mais à frente – e sugerir que é no próprio código que deparamos com as possibilidades mais excitantes de update da cultura arquitectónica.
O potencial da programação enquanto motor de transformação cultural da prática arquitectónica reside, afinal, tão só nas respostas concretas que alguns arquitectos dão a programas híbridos que lhes são impostos a partir de fora.
O potencial do código arquitectónico, porém, vive da própria transformação das linguagens, das referências e dos valores através das quais a arquitectura se relaciona de novo com a cultura popular do quotidiano.
(...) |