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Carla Cruz
O mundo à nossa imagem |
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diálogo
Carla Cruz (Vila Real, 1977) inaugurou no passado mês de Janeiro o projecto “A Criação do Mundo” em Serralves, no âmbito do ciclo “Transfigurações Efémeras”, iniciativa que anualmente convida um jovem artista a intervir sobre um lugar do Parque de Serralves. Nesta intervenção, que ficará no local até 30 de Dezembro, a artista partiu da citação do Génesis - “…e fez o Homem à Sua imagem e semelhança” - para dar continuidade a uma forma de trabalhar que questiona, de uma forma geral, construções sociais da nossa cultura e situações específicas do nosso contexto político e social. Nesta entrevista falámos dessa intervenção e das motivações e linhas de definição da sua prática artística; entre elas, a importância do pensamento crítico, da consciência, do agir e da participação colectiva na construção de novas visões da sociedade.
Carla Cruz é licenciada em Escultura pela Faculdade de Belas Artes do Porto (2001) e fez o Mestrado em Belas Artes pelo Piet Zwart Institute, Willem de Kooning, em Roterdão. Entre as principais exposições salientamos: “A Carla Cruz é uma Mad Woman” (Mad woman I the attic, Porto, 2006); “I`am an artist! What can I do for you?” (ARCO, Madrid, 2006); “All My Independent Women” (Galeria SMS, Guimarães, 2005); “BLOOD 4 OIL, estórias do petróleo” (Salão Olímpico, 2004, Porto); “Ser artista em Portugal é um acto de fé” (Ponte D. Luís, 2003, Porto).
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| Sandra Vieira Jürgens |
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24 Hour Psycho (1993)
[ Douglas Gordon ]
Frame by frame |
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obra
Os micro-sistemas que nós não podemos nem queremos recusar-nos a ver são aquilo que liga todas as coisas de que necessitamos para sobreviver, ou acreditar, ou tomar como garantido.
Douglas Gordon
“The most terrifying film ever made”. Assim se anunciava, em 1960, “Psycho”, um dos maiores êxitos comerciais de Alfred Hitchcock. Na época da sua estreia, o filme foi considerado uma espécie de arriscado exercício experimental. Porém, o grande mestre do “suspense” sabia os terrenos que pisava. Aos 60 anos de idade, encontrava-se no auge da sua fama, no cinema como na televisão. Com o tempo, para lá da sua imediata adesão popular, “Psycho” adquiriu o estatuto de filme de culto, ocupando hoje um lugar central na filmografia hitchcockiana.
Em 1993, Douglas Gordon apresenta “24 Hour Psycho”, uma versão crítica e desconstrutiva desse mesmo filme, que viria a ser considerada, por sua vez, como uma das etapas criativas mais decisivas do artista de Glasgow. O que ele aí faz é, afinal, propor uma nova visualização de um dos filmes mais queridos do grande público e mais comentados e analisados pela crítica, ganhando assim, á partida, uma visibilidade decorrente do objecto original. Mas em “24 Hour Psycho” projecta-se o filme de Hitchcock num ecrã que pode ser observado dos dois lados, quebrando-se assim, desde logo, um dos paradigmas essenciais do cinema – a ilusão de um exterior delimitado pela fronteira do ecrã – reduzindo-se ao mesmo tempo a velocidade do filme a dois fotogramas por segundo.
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| David Santos |
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